Como é bom e gratificante ter amigos de verdade. A amizade é a base de toda a sociedade que quer crescer em grupo e não sozinha... Algumas das mais bonitas e tocantes reflexões dos filósofos referem-se à amizade. Sem ela não há sociedade que se sustente. Aristóteles, que disputa com Sócrates e Platão o título de maior entre todos os sábios, a definiu como “uma alma em dois corpos”. Segundo Aristóteles, os grandes estadistas da história da humanidade deram mais importância a como estimular as relações de amizade do que qualquer outro tema, incluída a justiça.
Marco Aurélio, o imperador filósofo de Roma, afirmou que as pessoas nascem para ajudar umas às outras, assim como os braços quase nada fazem um sem o outro. A natureza parece muito particularmente interessada em semear em nós a necessidade de termos amigos - disse Montaigne, o estóico tardio que iluminou a França no século 16. A amizade é a base da elevação de toda comunidade. Pois ela se opõe a venenos como o egoísmo, o individualismo, a ganância. A amizade significa compartilhar, dividir, crescer, não sozinho mas em grupo. Sêneca, estadista e filósofo de Roma, expressou isso em palavras memoráveis: “Se tenho prazer em aprender é para ensinar”, disse ele. Para mim, é de Montaigne a mais bela frase sobre a amizade, entre tantas as produzidas pelos sábios ao longo do tempo: “As almas se entrosam e se confundem em uma única alma, tão unidas uma à outra que não se distinguem, e nem se percebe a costura entre elas.” Eis a parte mais dura e inconsolável: a perda de bons amigos. Celina Alves Neves, a saudosa “Dama do Teatro”. Minha querida madrinha junto à Academia Bauruense de Letras. Jehovah de Oliveira, estimado Valzinho, nosso professor de jornalismo e, mais recente, o saudoso e filósofo Nadyr Nascimento Serra, que saudades!
Sobre esse tema os sábios se debruçaram. Um deles escreveu, “a lembrança dos nossos amigos mortos é suave e ácida a um só tempo, como um vinho velho demais, cujo amargor nos agrada. Mas depois de algum tempo toda a acidez desaparece e em nós só fica um prazer puro”... Hoje compreendo que a causa principal de tamanho sofrimento era que eu nunca imaginara que eles pudessem morrer antes de mim. Como se a morte respeitasse uma ordem de passagem. Toda a sabedoria do mundo costuma ser impotente para deter a morte, “a noite escura, triste e aborrecida” que nos fazem os amigos perdidos, aos quais com muitas saudades dedico este artigo...
João Álvares - delegado regional da Associação Paulista de Imprensa