Não é ficção. O exame de DNA realmente é usado durante as investigações da polícia. Em Bauru, o teste é realizado de forma mais corriqueira na identificação de cadáveres, de suspeitos de crimes sexuais e em investigações de paternidade. Apenas neste ano, pelo menos dois casos necessitaram do auxílio da prova científica para que os processos investigativos não fossem suspensos.
Num deles foi para a identificação de um homem achado carbonizado, dentro de um Fiesta, no Jardim Ouro Verde. O caso permaneceu cercado de mistério durante quatro meses, quando finalmente em junho, depois de quatro meses, a polícia divulgou o resultado do exame de DNA que identificava a vítima: o pedreiro Claudionor dos Santos Queirós, 26 anos.
De acordo com o delegado assistente da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Ricardo Silva Dias, a comprovação foi importante para as investigações. “Se não fosse pelo DNA, não teríamos certeza, até hoje, se ele seria mesmo a vítima. Somente após a identificação é que podemos nos debruçar a fundo, traçando o perfil da vítima, investigar seu círculo de amizade na época do crime, para encontrarmos possíveis desafetos e dar andamento ao processo, até chegar ao culpado”, explica.
O teste também será utilizado em outro caso misterioso. No início do mês, o corpo de uma mulher foi encontrado junto a escombros em um incêndio nos Altos da Cidade. “Nesse caso também teremos que recorrer ao exame. No local encontramos documentos da possível vítima, mas oficialmente não temos nenhuma comprovação de que realmente era ela, já que o corpo estava totalmente carbonizado”, atenta o delegado.
Aperfeiçoamento
Devido à importância do exame de DNA nas investigações criminais, a Coordenadoria de Ensino do Departamento de Polícia Judiciária do Interior-4 (Deinter-4), decidiu aperfeiçoar seus policiais e delegados. Ontem, na Instituição Toledo de Ensino (ITE), foi ministrado, durante todo o dia, um “Curso especial sobre o uso do DNA na investigação criminal”.
O coordenador do Núcleo de Ensino, delegado Antônio Pimenta, ressalta os motivos do curso. “A polícia está se preocupando com a modernização e aperfeiçoamento de suas técnicas de atuação e investigação, visando obter melhores desempenhos”, destaca. Trinta policiais das várias cidades da área do Deinter-4 participaram da palestra, que será ministrado, também, daqui 45 dias para uma nova turma.
A perita criminal da polícia técnico-científica, Norma Bonaccorso, que comanda o único laboratório da Polícia Civil que realiza exames de DNA de Estado de São Paulo, foi a palestrante. “A polícia está apta a recolher e utilizar essas provas, mas sempre é preciso se reciclar. Esses cursos são rotina em São Paulo”, explica.
Para ela, o exame ajuda a investigação, mas precisa ser usado na hora certa. “Não são todos os crimes que revertem em vestígios que possam ser analisados através do DNA”, destaca.
O exame é sempre comparativo. Na identificação de corpos, pelo menos 50% do DNA da vítima tem que ser compatível, ao mesmo tempo, com o de seu pai de sua mãe. Em casos sexuais, é só verificar a similaridade dos dados encontrados em amostras retiradas do suspeito e do corpo da vítima.
O material genético pode estar em vários locais do crime, até mesmo um fio de cabelo pode ser considerado prova. Segundo a perita, os custos baixaram nos últimos anos. O valor gasto em análises completas gira entre R$1 mil e R$1,5 mil.