A pílula do dia seguinte, o contraceptivo de emergência, é oferecida gratuitamente há um ano na rede básica de saúde em Bauru. Porém, apenas duas usuárias ao mês solicitam a medicação, em média. Enquanto isso, nas oito farmácias e drogarias da cidade consultadas pelo JC, cada uma chega a vender cerca de 16 caixas do remédio todos os meses. Apesar de ser obrigatório, a maioria dos pontos-de-venda não exige receita, talvez o que explique a demanda maior. Isso porque, para receber o remédio gratuitamente, a mulher deve passar por consulta com especialista.
Desde agosto do ano passado, a Secretaria Municipal de Saúde oferece a pílula do dia seguinte. O remédio está à disposição das usuárias da rede básica de saúde na Maternidade Santa Isabel, numa parceria entre o município e a Associação Hospitalar de Bauru. O medicamento é enviado pelo Ministério da Saúde. Por conta da baixa procura, muitos dos 600 remédios do primeiro lote acabaram com a validade vencida e tiveram de ser destruídos.
Porém, antes de ser atendida, a paciente deve passar por consulta e recebe orientação rigorosa sobre o medicamento. A pílula só é liberada mediante a assinatura de termo de consentimento esclarecido, que vai conter informações sobre os efeitos colaterais, os acompanhamentos necessários após o uso e, principalmente, sobre os riscos de consumo habitual da medicação.
Por conta desse protocolo, muitas mulheres acabam evitando buscar a pílula na maternidade. “A medicação está à disposição. Infelizmente, a saída é muito baixa porque sabemos, pelos atendimentos nas unidades básicas que muitas já tomaram a pílula do dia seguinte”, conta Cristiane Andréa Mariano Castilho, coordenadora de ginecologia e obstetrícia da Decretaria de Saúde.
Para ela, um dos problemas é o medicamento se tornar uma rotina na vida das mulheres. “É um remédio de emergência. Se virar rotina, pode causar hemorragias, distúrbios menstruais. É uma carga muito grande de hormônio”, explica Castilho.
Anteontem a agência de controle de alimentos e remédios dos Estados Unidos liberou a venda da pílula do dia seguinte sem a necessidade de receita. No Brasil, a venda sem prescrição médica continua proibida, mas a maioria das farmácias comercializa o medicamento sem receita. Para Castilho, a necessidade da prescrição deveria ser mantida e cumprida. “A pílula do dia seguinte é um remédio e tem muitas contra-indicações”, conta.
A secretaria já está distribuindo a segunda remessa da pílula enviada pelo Ministério da Saúde.