Cem anos da chegada da antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB) a Bauru – completados no dia 27 de setembro – serão demonstrados em uma multiplicidade de olhares na exposição “NOB em Obras – 100 Anos de Ferrovia em Bauru”, que será aberta hoje no Museu Ferroviário Regional de Bauru. A mostra é a primeira das comemorações à data que marcou o avanço do progresso e a urbanização do Interior do Estado, assim como a mudança e aculturação dos indígenas paulistas.
O diretor do Departamento de Proteção ao Patrimônio Cultural da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), Henrique Perazzi de Aquino, afirma que uma série de ações vem sendo realizada para garantir a divulgação do patrimônio ferroviário do Município, incluindo a ampliação das atividades das instituições públicas. “Um exemplo é a ampliação do espaço do Museu Ferroviário, com a criação de uma praça e espaços para as artes”, diz Aquino.
Para a exposição comemorativa, Aquino revela que uma “revolução” foi promovida nos espaços do museu. “Foi uma decisão polêmica porque tiramos todo o acervo de dentro do museu. Queremos contar essa história pela visão de quem estava aqui, dos primeiros moradores e dos indígenas, e também pela visão de quem chegava com a ferrovia, os trabalhadores, os engenheiros”, enumera. O objetivo, na estruturação da mostra, foi reviver, sala a sala, desde o primeiro contato da ferrovia com a terra.
“Os ferroviários têm um carinho muito grande pelo museu e eles podem achar a mostra polêmica porque o museu ficou diferente. É temporário, mas precisávamos mostrar, além do progresso trazido pela estrada de ferro, a dizimação do índio que vivia aqui. Aculturamos o índio e dizimamos sua cultura”, frisa Aquino.
Contrapontos
De acordo com a assessoria de imprensa da SMC, a mostra “NOB em Obras” foi concebida pela agente cultural Neli Vioto, especialista em museus de pequeno e médio porte. Os visitantes poderão conferir a sala do índio, onde há referência ao período de aculturação das comunidades; a sala do operário, com referência ao dia-a-dia na companhia; sala da construção, onde será possível conferir painéis e fotos da edificação do principal entroncamento ferroviário da América Latina, na época.
A mostra também faz um contraponto dos custos do desenvolvimento para Bauru e região, onde a ferrovia gerou empregos, ampliou cidades, porém patrocinou a destruição das matas, a exploração do trabalho e a dizimação dos nativos, como aponta Vioto.
O Museu Ferroviário Regional de Bauru, que tem à frente o agente cultural Orlando Alves, conta hoje com uma ampla área, com jardim e bancos que estavam instalados na antiga estação da NOB. A nova praça foi batizada de Caingang, em referência aos primeiros habitantes da região.
Comemorações
A abertura da exposição “NOB em Obras – 100 Anos de Ferrovia em Bauru” é o primeiro evento para comemorar o centenário da inauguração do trecho de estrada de ferro ligando Bauru a Avaí. Segundo Henrique Perazzi de Aquino, a SMC tem uma série de atividades em planejamento para marcar a data, incluindo homenagens a ferroviários ilustres.
O mais ambicioso seria reviver o ato de inauguração da época, quando o então presidente da República Afonso Pena veio a Bauru na companhia do aviador Alberto Santos Dumont.
De acordo com Aquino, há articulação para promover um encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do primeiro astronauta brasileiro, o bauruense Marcos Pontes, e do ex-ministro Ozires Silva, também bauruense, que foi presidente da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer).
• Serviço
Exposição “NOB em Obras – 100 Anos de Ferrovia em Bauru” será aberta hoje às 10h no Museu Ferroviário Regional (rua Primeiro de Agosto, quadra 1). Visitação até 31 de dezembro. Mais informações: (14) 3212-8262.