Tribuna do Leitor

Patrão de mentirinha


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Leitor: imagine-se sendo um patrão. E, como patrão, alguém lhe diz que você está obrigado a contratar um empregado, mesmo que na lista de possíveis não haja nenhum confiável. Imagine, patrão, que seu empregado comece a cometer crimes dentro de sua empresa e, depois do contrato celebrado, você descubra que não tem poder algum sobre ele.

Pior ainda, que o aviso prévio é de quatro anos e, até lá, você vai ter que agüentar seu empregado roubando sua empresa. Parece ilógico? Parece ridículo? Mas é isso que o TSE, com as pueris propagandas na TV, tenta nos fazer acreditar: coloca o eleitor na condição de patrão que pode contratar empregados (presidente, governador, deputados, etc), mas só não fala que é para um “patrão de mentirinha”, de fachada.

E, nessa esteira, de mentirinha também é nossa democracia, pois é impensável que uma democracia dependa do “voto de cabresto”, dependa do paradoxal exercício de um dever, e não de um direito. É inaceitável – e inacreditável – que a “vontade do povo” deva ser exigida, quando lhe deveria ser facultativa.

O voto obrigatório, além de um atentatório contra-senso em qualquer democracia verdadeira, é a força motriz da corrupção do sistema eleitoral de ontem, hoje e sempre. Na época dos coronéis, estes obrigavam seus empregados a irem votar (alguma semelhança?). Logo, é por causa do voto obrigatório que não nos livramos dessa nefasta classe política que assola os recursos e a paciência do eleitor politizado, que nunca tem força (número de votos) para contrabalançar o fiel. Enquanto tivermos quase 60% de eleitores analfabetos ou semi-analfabetos, não mudaremos a verdadeira cara do Congresso. E como a maioria absoluta de congressistas não adota qualquer medida real de mudança de panorama (que não lhes interessa), viveremos reféns desse círculo vicioso. É a ditadura do voto e da ignorância.

Ivan Garcia Goffi - OAB/SP 165.173

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