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O enterro do BNDES


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Napoleão Bonaparte criou a Sociedade Nacional de Fomento à Indústria, assim que se tornou governante. A função deste banco oficial era a de ajudar todo empreendedor que estivesse disposto a criar uma empresa, gerar empregos, trabalhar em favor do desenvolvimento da economia francesa. A ação econômica do grande corso foi inovadora e acabou copiada em uma infinidade de países, nos séculos seguintes. O Brasil demorou a copiar a fórmula de sucesso e o fez de maneira desastrada: Rui Barbosa, Ministro da Fazenda no alvorecer do período republicano, decidiu emprestar dinheiro cobrando juros subsidiados aos novos empreendedores, sem exigir garantias de que o capital seria realmente investido em atividades produtivas. O resultado foi a Crise do Encilhamento, que elevou a inflação a espantosos 100% ao ano, sem qualquer aumento perceptível na atividade industrial. Mais tarde, Getúlio Vargas, movido pelas mesmas preocupações e objetivos de Napoleão Bonaparte, criou, pela Lei nº 1.628, de 20 de junho de 1952, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES. Vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o BNDES tem como objetivo apoiar empreendimentos que contribuam para o desenvolvimento do país. Desta ação deveria resultar a melhoria da competitividade da economia brasileira e a elevação da qualidade de vida da sua população. Em todos os governos que se seguiram a Getúlio, de Juscelino até FHC, passando por todos os ditadores militares, o BNDES vem financiando os grandes empreendimentos industriais e de infra-estrutura, tendo marcante posição no apoio aos investimentos na agricultura, no comércio e serviço e nas micro, pequenas e médias empresas, e aos investimentos sociais, direcionados para a educação e saúde, agricultura familiar, saneamento básico e ambiental e transporte coletivo de massa. A bela história de serviços prestados à economia brasileira, protagonizada pelo BNDES, foi truncada na administração Lula da Silva. Entregue nas mãos do inepto Guido Mantega, o BNDES transformou-se em instrumento de proselitismo político, sendo acionado para tráfico de influências. A Rede Globo, à beira da falência, apesar de sua hegemonia nas transmissões de televisão, recebeu um empréstimo bilionário. A Volkswagen, empresa germânica, pleiteou e conseguiu um empréstimo de meio bilhão de reais, enquanto centenas de empresas nacionais ficam sem o amparo governamental para desenvolver seu parque industrial diante da competição desleal movida pelos chineses. A ironia fica por conta do fato de que a Volks vai utilizar este dinheiro para otimizar sua linha de produção, demitindo milhares de brasileiros. No último dia 21 de agosto, Demian Fiocca, ilustre desconhecido e atual presidente do BNDES, ofereceu ao embaixador dos EUA, Clifford Sobel, ajuda para que nosso pobre irmão do norte desenvolva projetos vinculados à produção e uso de etanol. Fiocca é o legítimo sucessor de Guido Mantega, que emprestou dinheiro para a Venezuela construir metrô e para obras de infra-estrutura na Bolívia. Este governo entreguista e incompetente está promovendo o enterro do BNDES. A sociedade, dentro das normas democráticas, precisa reagir.

O autor, Ney Vilela, é coordenador regional do Instituto Teotônio Vilela

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