Internacional

Iraniano desafia Bush para debate

Folhapress
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Teerã - A dois dias do fim do prazo dado pela ONU para o Irã interromper seu programa nuclear, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, sugeriu um debate ao vivo, pela TV, com o presidente dos EUA, George W. Bush, sobre “questões mundiais”.

A sugestão foi feita numa entrevista coletiva em Teerã, com uma condição: “Não pode haver censura, especialmente para os EUA”. No Irã, jornais críticos do governo têm sido perseguidos, o que foi objeto de perguntas de repórteres iranianos presentes - menos prezadas por Ahmadinejad.

O gesto do iraniano foi visto pela Casa Branca como uma tentativa de “desviar a atenção” da questão nuclear. Anteriormente, Ahmadinejad já havia enviado cartas a Bush e à chanceler (premiê) alemã, Angela Merkel, nas quais não mencionava o programa nuclear.

“É só uma tentativa de desviar a atenção das preocupações legítimas da comunidade internacional sobre o Irã, do apoio ao terrorismo à busca de armas nucleares”, disse uma porta-voz da Casa Branca.

O prazo fixado pelo Conselho de Segurança (CS) da ONU para que o Irã interrompa o enriquecimento de urânio termina hoje. Baseados em relatórios da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), os membros permanentes do CS acreditam que o Irã queira desenvolver armas nucleares - oficialmente, o objetivo do projeto é gerar energia.

Na entrevista coletiva de duas horas, a quarta desde que foi eleito, há um ano, Ahmadinejad queria aparecer como defensor das prerrogativas iranianas, mas foi questionado sobre problemas da economia, censura e suas declarações a respeito de Israel.

Um repórter perguntou-lhe se sua declaração de sábado, quando disse que o Irã não era ameaça para nenhum país, “nem para o regime sionista”, representava uma mudança em sua posição -ele já defendeu que Israel fosse varrido do mapa. Ahmadinejad respondeu que “bater na mão de uma criança para evitar que ela ponha o dedo no fogo” não é uma ameaça.

Visita de Annan

O iraniano repetiu que “ninguém pode impedir” o Irã de ter um “programa nuclear pacífico”, nem mesmo o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que visitará o país no sábado.

Segundo ele, Annan também tem de agir “segundo os regulamentos internacionais” - referência ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear, que permite enriquecer urânio para fins pacíficos. Mas questionado se poderia haver um anúncio “surpresa” durante a visita, foi reticente: “Vocês terão uma resposta mais tarde”.

Na semana passada, Teerã se dispôs a negociar sem suspender o programa, o que os EUA recusam. O iraniano acusou os EUA e o Reino Unido de usarem o Conselho de Segurança para seus próprios interesses. “Eles impõem suas decisões. (...) Eles têm poder de veto. Se alguém os confronta, não há espaço para reclamações.”

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