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Trabalhadores da Volks entram em greve

Por Karen Camacho | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Os trabalhadores da Volkswagen em São Bernardo do Campo (SP) decidiram ontem entrar em greve imediatamente e por tempo indeterminado devido ao início das demissões de funcionários da unidade. Durante assembléia, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC propôs e os trabalhadores aceitaram que a partir do turno da tarde de ontem os funcionários entrarão na fábrica, mas permanecerão sem trabalhar. O sindicato e a comissão de fábrica devem dar novas orientações aos trabalhadores hoje.

Mesmo com a pressão do governo, a Volkswagen não recuou e começou ontem a distribuir cartas para avisar os trabalhadores da fábrica de São Bernardo do Campo (SP) que serão demitidos a partir de 21 de novembro, quando acaba o acordo de estabilidade de emprego na unidade.

A empresa não informou quantas pessoas já receberam as cartas de demissão. O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC estima que 1.300 funcionários e outras 500 pessoas que estão no centro de capacitação da fábrica foram informados que serão cortados.

Os avisos de demissão acontecem um dia após o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciar que suspenderia a concessão de um empréstimo de quase R$ 500 milhões suspenderia a concessão de um empréstimo de quase R$ 500 milhões à Volks até que a montadora fechasse um acordo com o sindicato.

A empresa quer que o sindicato aceite a demissão de 3.600 dos 12.400 trabalhadores da unidade e quer a redução dos direitos trabalhistas dos funcionários que ficarem. Ou então ameaça fechar a fábrica de São Bernardo e demitir até 6.100.

A decisão dos trabalhadores será levada à matriz da Volks, na Alemanha, que decidirá em setembro seu novo plano de investimentos.

A Volks afirma que sem os cortes a fábrica não será competitiva o suficiente para receber novos investimentos, o que culminaria em seu fechamento “no curto prazo”. A empresa ainda não informou que posição vai tomar frente à decisão do governo de suspender o financiamento do BNDES, anunciada na noite de anteontem.

Antes da decisão do governo, entretanto, consultores do setor automobilístico já alertavam para o alto custo que a empresa teria com o fechamento da fábrica poderia inviabilizar essa decisão.

O plano de demissão incentivada da Volks prevê que os demitidos recebam 0,4 salário por cada ano trabalhado na empresa, valor considerado baixo pelo sindicato. Já os que permanecessem na Volks teriam que aceitar mudanças no banco de horas.

A empresa não pagaria nada àqueles que fizessem até 200 horas extras em um ano e só pagaria hora cheia para os que trabalhassem mais de 400 horas acima da jornada. Funcionários que cometerem erros na produção teriam que trabalhar até oito horas gratuitas por semana para compensar a empresa. Além disso, o desconto no salário para pagamento do plano de saúde subiria de 1% para 3% da renda mensal. Já os novos contratados teriam redução média de salário de 35% em relação aos vencimentos pagos hoje.

Os planos de carreira também se tornariam menos favoráveis aos trabalhadores, que demorariam mais tempo para receber vencimentos correspondentes ao ápice da carreira. A Volks culpa a desvalorização do dólar pelas demissões. Inicialmente a empresa havia informado que planejava demitir entre 4 mil e 6 mil funcionários até 2008 nas unidades do ABC, Taubaté (SP) e São José dos Pinhais (PR).

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