Todos os dias, na Capital de São Paulo, ocorrem manifestações de solidariedade ao povo palestino e libanês, brutalmente agredidos pelo terrorismo do Estado de Israel. A Marcha Mundial das Mulheres faz parte do comitê organizador.
Na manhã de domingo, dia 6, várias entidades se fizeram presentes no ato que se iniciou na Praça Osvaldo Cruz, seguindo em direção ao Parque do Ibirapuera. O carro de som estampava uma grande faixa com os dizeres: “Cadê a esperança de crianças do Líbano”. Pergunta muito oportuna, pois, próximo, ocorria o show Criança Esperança promovido pela Rede Globo. Os gritos ressoaram na avenida Paulista: "Estado de Israel, Estado assassino do povo libanês e do povo palestino".
Foi bonito ver parcela da população paulistana se desacomodar, sair da cama e optar pela manifestação. Diante da brutalidade da agressão do Estado de Israel, nossas vozes eram como sinos de madeira, como definiu Eduardo Galeano ao se referir às manifestações que vêm ocorrendo pelo mundo.
A maioria do povo de Israel concorda com os ataques, mas tanto em Israel quanto na Palestina há os que defendem o cessar-fogo, o diálogo e o direito à existência dos dois povos. Há soldados israelenses presos por se negarem a atacar palestinos e libaneses. Sobretudo, há mulheres de ambos os lados que se dão as mãos para protestar contra os ataques e gritar pela paz: as chamadas mulheres de negro. Gandhi dizia que se adotarmos o “olho por olho”, acabaremos todos cegos.
O governo dos Estados Unidos está por trás do terrorismo do Estado de Israel, mas Cindy Sheeran, companheiras do CodePink e representantes de várias organizações de mulheres do mundo, estarão no Líbano para manifestar solidariedade. Quase um milhão de libaneses foram deslocados.
Pífias são as justificativas do estado terrorista. O seqüestro de um soldado israelense desencadeou o seqüestro da soberania palestina; o seqüestro de dois soldados israelenses, o da soberania libanesa. A ONU demora para emitir resoluções e quando o faz tem o veto do governo dos Estados Unidos, como já aconteceu com as 40 resoluções.
Neste mês, lembramos, há 61 anos, as bombas atômicas de Hiroshima (dia 6) e Nagasaki (dia 9), lançadas pelo governo dos Estados Unidos, que ameaça atacar o Irã em nome da garantia da paz. É preciso considerar que Israel possui 250 bombas ainda mais potentes do que as lançadas no Japão. Os US$ 2,5 bilhões de gastos militares por dia são a maior prova da insensatez.
Urge uma reação mais contundente. Urge uma decisão inteligente: que ambos os lados percebam a insensatez e parem de se matar. Nessa manhã de domingo senti que nossas vozes soavam como “sinos de madeira”, mas era preciso gritar para que não acabemos todos(as) cegos(as), para que optemos definitivamente pela paz.
Iolanda Toshie Ide