Os moradores das Chácaras Cardoso foram pegos de surpresa e ficaram assustados depois de receber cartas do Departamento de Água e Esgoto (DAE) avisando que teriam de regularizar suas situações já que, até então, tudo parecia estar de acordo com a lei. Donos de propriedades alegam que não foram informados corretamente sobre o porquê das “novas” exigências. A maioria deles acredita que a autarquia quer passar a cobrar uma taxa para captação da água subterrânea.
O aposentado José Condota, que vive há 32 anos no bairro, está confuso. “Primeiro eles queriam que pagássemos por um hidrômetro para cobrar uma tarifa sobre nossa água. Agora eles querem dar o aparelho e fazer com a gente pague duas análises de água, num total de R$ 1.200,00. Não sei o que acontece”, afirma.
Os moradores chegaram a se organizar para colocar em prática uma ação conjunta. “Nós nos reunimos no último sábado e decidimos fazer um abaixo-assinado. Nele, pedimos que a prefeitura providencie água encanada e esgoto para a gente. Em troca, nós lacramos, imediatamente, os poços”, afirma Condota, que diz ter conseguido assinaturas de quase todos os moradores das Chácaras Cardoso.
O advogado Antonio Miguel Eades Inete possui uma chácara no bairro há 27 anos. Ele recebeu duas cartas do DAE e não conseguiu chegar a uma conclusão concreta sobre o porquê das medidas exigidas. “Eles me mandaram duas comunicações. Uma no dia 21, citando algumas leis, e outra do dia 26, falando de leis diferentes. Ao que parece, eles querem colocar hidrômetros. Já me informei que nossa água não pode ser cobrada porque não temos rede de esgoto. Acho que querem mesmo é tirar dinheiro da gente de qualquer maneira”, desabafa.
Inete afirmou não ter recebido uma informação detalhada a respeito da ação do DAE. “Eles querem que a gente pague R$ 1.200,00 por ano. Ninguém aqui sabe ao certo o que é isso. Tem gente que já foi até o DAE e voltou sem saber o que era. Eu pago para furar meu poço, gasto energia para retirar a água e ainda tenho que pagar essa quantia todo o ano? Isso não é justo”, reclama.
Informado pelo JC a respeito da existência da lei que exige análise da água e instalação de hidrômetro, Inete se surpreende. “As pessoas que têm casas no bairro usam a água para regar as plantações e cuidar das criações. Para beber a gente compra mineral. Acho que essa história está muito mal contada. Isso me cheira mais à sujeira política. O caráter dos nossos dirigentes não é nem um pouco confiável”, opina.
O advogado pretende tomar uma atitude drástica caso as reivindicações dos moradores não sejam atendidas. “Eu gasto em média R$ 80,00 com a água e a luz da minha casa em Bauru. Só para manter o poço funcionando são R$ 180,00 por mês. Se eles colocarem água e esgoto no bairro, eu lacro na hora. Se nada der certo, eu vou ter que colocar uma placa de vende-se na minha propriedade”, afirma.
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Aqüífero
O Aqüífero Guarani é um dos maiores mananciais de água doce do mundo, com de cerca de 48.000 km³ de volume de água e 1.150.000 km² de extensão. Ele abastece quatro países: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Suas águas são subterrâneas e preenchem os espaços entre rochas chamadas guarani, de mais de 100 milhões de anos. A profundidade pode variar entre 50 metros e 800 metros abaixo do nível da terra.