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Puberdade precoce de meninas preocupa pais

Por Constança Tatsch | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

A preocupação da família com a puberdade das meninas já chegou aos consultórios médicos. Pediatras são procurados por pais que querem atrasar a menarca (primeira menstruação), mesmo quando ela não é precoce. As dúvidas são geradas, em parte, porque a primeira menstruação está ocorrendo mais cedo do que nas gerações anteriores.

As meninas, hoje, menstruam, em média, entre os 10 e os 13 anos. Há algumas décadas, o mais comum era menstruar entre os 14 e os 16 anos. Existem diversas explicações para a antecipação da menarca. Consenso entre especialistas são os avanços na área de saúde, como vacinas, melhoria nutricional e boas condições de higiene.

Enfrentando menos doenças, as jovens atingem mais cedo uma relação entre peso (em torno dos 40 kg) e altura, que faz o corpo considerar que elas já estão prontas. Além da questão hereditária, há também estudos que apontam que a maior incidência de luz atuaria sobre o hipotálamo e a produção de hormônios. Outros indicam que a dieta rica em gorduras, o estresse e a falta de válvulas de escape também estão por trás da menarca.

Nada comprova, porém, que o fato da sociedade estar mais erotizada exerça influência. “Existe uma tendência moralista nessa avaliação, de que o estímulo precoce pela televisão e pela sociedade poderiam desencadear a puberdade mais precoce. Não que seja bom submeter as crianças a esses estímulos, mas não quer dizer que é isso que adianta a puberdade’’, afirma Romolo Sandrini, presidente do departamento de endocrinologia da Sociedade Brasileira de Pediatria. Ou seja, as meninas se comportarem como se fossem mais velhas não é causa, e sim, conseqüência da puberdade.

A menarca só é considerada precoce quando ocorre antes dos 10 anos e a puberdade antes dos 8. Nas meninas, os primeiros sinais da puberdade são o surgimento do botão mamário e de pêlos axilares e pubianos. A partir desses sintomas, o normal é que a menstruação chegue entre um ano e meio e dois anos e meio depois.

O ritmo com que esse amadurecimento ocorre é fundamental. Se for rápido demais, pode haver algum distúrbio. De acordo com Albertina Duarte Takiuti, ginecologista e coordenadora do programa de Saúde do Adolescente da Secretaria de Estado da Saúde, cerca de 12% das meninas têm puberdade precoce, cinco vezes mais que os meninos.

Do total de casos, 20% têm razões clínicas, como cistos, hipertireoidismo, alteração da circulação na região do hipotálamo, traumatismos cranianos, entre outros. Os outros 80% não têm uma causa específica e são, provavelmente, de origem genética.

Os médicos afirmam que o bloqueio da puberdade só deve ser feito em casos onde exista uma boa razão. Quando a menarca vai ocorrer antes dos 10 anos ou quando a menina não vai conseguir alcançar uma estatura normal, por exemplo. Após uma série de exames hormonais e ósseos, entre outros, as meninas passam a fazer acompanhamento periódico e podem fazer uso de medicamentos que interrompam a produção de hormônios.

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