São Paulo - Enquanto a Volkswagen defende a necessidade de uma reestruturação na sua unidade de São Bernardo do Campo, um eventual fechamento da fábrica, o que foi aventado pela empresa, causaria um grande problema social ao município.
As demissões já anunciadas de 1.800 trabalhadores são um prenúncio do que pode ocorrer caso a montadora adote uma solução mais radical. Entre os dispensados está o abastecedor Ivanildo José da Silva, que trabalha na empresa há 21 anos e está na lista de funcionários que receberam carta de demissão.
Com o salário da Volkswagen, ele sustenta quatro filhos e quatro irmãos, que adotou também como filhos. “Conversei com minha mulher, e na época ela aceitou criar meus irmãos. Fomos buscá-los em Pernambuco e todos foram criados juntos”, afirma ele, que conta ter desenvolvido uma bursite no braço direito e perdido parte da audição por causa do seu trabalho na fábrica. “Ficou por isso mesmo. A elite só quer saber de dinheiro”, diz, ressaltando que não processou a montadora. “Os mais espertos processaram. Eu tenho família grande, fiquei com medo de perder o emprego.”
Rodoanel
Os problemas de Silva não param por aí. Morador de Santo André, ele diz que o Rodoanel Mário Covas deve passar no local onde hoje está sua casa. “É muita tristeza, muito choro, mas eu levo na esportiva”, afirma. De acordo com a Volkswagen, não há registro na ficha de Silva de alguma restrição à sua demissão ou transferência por conta de problemas médicos.