São Paulo - A Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) do Estado de São Paulo informou ontem que Suzane von Richthofen foi transferida do Centro de Ressocialização Feminino de Rio Claro (175 quilômetros de São Paulo) porque a diretora de Segurança e Disciplina da unidade, cujo nome não foi divulgado, permitia que a presidiária usasse o sistema de informática para se comunicar com o mundo exterior.
A diretora do Centro de Ressocialização, Irani Torres, disse não ter autorização para falar sobre o assunto. “Quem concentra essas informações é a SAP”, disse. Condenada a 39 anos e seis meses de detenção pela morte dos pais - Manfred e Marísia -, Suzane, 22 anos, foi transferida na noite do último sábado para a Penitenciária Feminina de Ribeirão Preto (314 quilômetros a norte de São Paulo).
A SAP determinou o afastamento da diretora de Segurança e Disciplina e instaurou procedimento administrativo disciplinar, para apurar o grau de envolvimento e a responsabilidade da funcionária de Rio Claro. O procedimento deve ser concluído em 30 dias e será realizado sob sigilo.
Segundo a secretaria, a transferência foi feita para preservar a segurança de Suzane, já que o privilégio irritou as demais detentas do Centro de Ressocialização. “Em casos como este, a administração não tem como norma consultar ou comunicar previamente o defensor constituído, mesmo porque informações como estas não se enquadram às regras de segurança”, informou a SAP, por meio de assessoria de imprensa.
O advogado e ex-tutor de Suzane von Richthofen, Denivaldo Barni, disse ontem desconhecer os motivos que levaram à transferência de sua cliente. “A última vez que estive com a menina foi há dez dias e a única coisa que vi é que ela estava com os dedos machucados, de fazer pregadores de roupa”, disse.
A SAP informou que não tem qualquer informação de que Suzane esteja com os dedos machucados. “Muito menos existe reclamação ou queixa da presidiária ou de sua defesa”, informou a secretaria. A penitenciária foi inaugurada em março de 2003 e tem capacidade para 310 presas.
De acordo com a SAP, em 31 de agosto, o presídio registrava 326 detentas. Daniel, 25 anos, e Christian Cravinhos, 30 anos, também condenados pela morte de Manfred e Marísia von Richthofen, em 2002, estão na Penitenciária 2 de Tremembé (138 quilômetros de SP).
No último dia 22 de agosto, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou pedido de habeas corpus em favor dos irmãos Daniel e Christian. O pedido de liberdade foi indeferido pela 6.ª Turma do STJ. Quatro magistrados votaram contra a libertação dos dois. Apenas o ministro Nilson Naves votou em favor de Daniel e Christian. Daniel e Suzane, namorados na época do crime, pegaram 39 anos e seis meses de prisão.
Christian recebeu pena um ano menor. Marísia e Manfred foram mortos a golpes de porretes de ferro por Christian e Daniel, na casa da família, no Brooklin (zona sul de São Paulo). Suzane ajudou a planejar o crime e abriu a porta da casa para que os irmãos executassem o crime.