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Lição de casa


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Um novo relatório confirma a tese há muito defendida por especialistas: a melhora da qualidade do ensino básico passa, necessariamente, pela melhor formação dos professores. Esse desafio é maior que deve ser enfrentado pelo Brasil, de acordo com o estudo “Educação para todos 2006 – Professores e Educação de Qualidade”, lançado recentemente pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura e evidenciando que o Brasil é, na América Latina, um dos países com menor grau de formação de seus professores de nível primário.

De acordo com o estudo, 92% dos professores de 1ª a 4ª série têm somente o diploma de magistério, definido pela Unesco como ensino médio completo mais um ou dois anos de estudo. Apenas Nicarágua e Panamá, entre os países que dispõem de dados, estão na mesma situação. Já a vizinha Argentina ostenta resultado melhor: 67% dos seus professores primários têm ensino superior. O Chile também passa lição de casa para o Brasil: lá, são 92% os docentes do nível básico com graduação. Embora os analistas da pesquisa afirmem que o nível de qualificação dos professores aumenta no Brasil e em todo o mundo, ela previne que o País ainda precisa fazer um grande esforço para garantir que todos os professores primários tenham ensino superior — o que passa, necessariamente, por melhores salários e condições de trabalho.

A superação desse problema refletiria diretamente na melhora de indicadores educacionais, como aqueles que colocam o Brasil entre os países com maior taxa de repetência do mundo: 21%, o mesmo índice da Eritréia e de Moçambique, dois países africanos que ainda sofrem as conseqüências de um recente passado turbulento. Como conclui o relatório, “a repetência reflete más condições de ensino e aprendizagem e aumenta a pressão sobre os professores e os recursos nacionais”. Por fim, o documento aponta a necessidade de contratação de mais 396 mil professores até 2015 para manter o atendimento adequado nas escolas de ensino básico. Os números revelam o tamanho do desafio que o Brasil tem pela frente. Sem ousadia e vontade política para enfrentá-lo, o País continuará na lanterninha dos ranking dessa área estratégica e com enormes obstáculos para o seu desenvolvimento econômico e social. E, o que talvez seja o mais triste sinal de descompromisso, condenará as novas gerações a um futuro nada promissor e cada vez mais marcado pela desigualdade de oportunidade de acesso a uma vida digna e cidadã.

O autor, Luiz Gonzaga Bertelli, é presidente executivo do CIEE, da Academia Paulista de História - APH e diretor da Fiesp

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