Brasília - A CPI do Tráfico de Armas pretende pedir o indiciamento de Ariane dos Anjos, advogada de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola - chefe da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) - por participação no assassinato do juiz-corregedor da Vara de Execuções Penais de Presidente Prudente (SP), Antônio Machado José Dias, em 2003. Boa parte de seu depoimento de duas horas e meia ontem à CPI foi considerado “mentiroso” pelos integrantes da comissão.
A advogada, que disse não trabalhar mais para Marcola, deu explicações insatisfatórias sobre uma tentativa de realizar uma visita conjugal, sob falsa declaração de união estável, no presídio de Presidente Bernardes, em outubro do ano passado. Parlamentares suspeitam que ela tentava ter contato direto com Marcola e desistiu ao ser descoberta. Além disso, a CPI descobriu que o ex-marido da advogada era um agente penitenciário em Bauru e foi demitido após acusação de ter operado uma central telefônica clandestina para os presos.
Ariane negou qualquer envolvimento com o assassinato do juiz Antônio Machado José Dias e classificou os indícios levantados pela CPI de “coincidências que estão no campo da suposição”. Porém, o relator, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), sustenta que o cruzamento de ligações telefônicas e visitas a presos demonstram que Ariane teria intermediado a ordem de assassinato entre Marcola e membros do PCC.
O elo da comunicação seria Priscila Maria dos Santos, acusada pela polícia de operar uma “central telefônica” da facção.