O Bauru Atlético Clube (BAC) foi negociado em julho deste ano por R$ 4 milhões. O investimento foi feito pela Rede Tauste de Supermercados, de Marília. Desde então, o único sócio-proprietário do clube, Arlindo Marques Figueiredo, está movendo uma ação na Justiça para anular a venda do imóvel. Entre as ilegalidades apontadas, está a falta de representatividade e legitimidade dos supostos conselheiros que aprovaram a referida venda.
“Há uma infinidade de irregularidades nessa venda. Além disso, o BAC é um patrimônio da cidade que tem de ser preservado. Estou confiante nessa anulação”, afirma Figueiredo, que ocupou a presidência do BAC entre 1969 e 1970, período em que viabilizou os projetos de construção da sauna, do restaurante e do ginásio de esportes da instituição. O processo tramita na 7.ª Vara Cível de Bauru.
Para o ex-presidente do BAC Arnaldo Regalin – que ficou no cargo entre 1978 e 2000 –, a venda do imóvel foi a solução mais sensata para o abandono em que o clube se encontrava. Ele discorda das manifestações que estão ocorrendo em prol da anulação da compra do complexo.
“Na hora em que o clube mais precisou dessas pessoas que hoje discordam dessa venda, recebeu apenas omissão”, comenta.
Deteriorado
Regalin ressalta que nos últimos anos o prédio do BAC estava totalmente deteriorado, inclusive com áreas em estado de condenação por conta das más condições de infra-estrutura.
“Havia rachaduras por toda parte. Como o clube podia continuar funcionando se não conseguia sequer fazer a manutenção básica de infra-estrutura?”, questiona o ex-presidente.
Ainda conforme ele, a decadência do BAC começou nos anos 80, com a vinda dos clubes do Serviço Social do Comércio (Sesc) e do Serviço Social da Indústria (Sesi) para Bauru. Essas instituições, acredita Regalin, teriam atraído o público do BAC, principalmente por conta do valor mais baixo da mensalidade que cobravam.
Os problemas se agravaram na década de 90, segundo o ex-presidente, por conta dos investimentos na equipe de vôlei feminino. O projeto se tornou inviável economicamente por conta do custo da manutenção do time e também porque várias jogadoras, que foram dispensadas, moveram ações trabalhistas contra o BAC e tiveram de ser ressarcidas. Por conta disso, muitos bens foram penhorados.
Em 2004 o funcionamento do clube foi interrompido, já que a má situação financeira e as dívidas de impostos fiscais se agravaram. Na ocasião, o BAC, que até a década de 70 somava mais de cinco mil associados, tinha menos de 800.