Geral

Saber ouvir é o caminho para boa leitura e escrita

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O hábito da leitura nasce na infância e no saber ouvir. É através desse exercício que a criança constrói habilidades que a capacitam a interpretar textos, e o papel do educador e da família são ingredientes que não podem faltar na receita que resultará num bom orador e escritor. Essa é a opinião da autora e assessora do Anglo Célia Assumpção. A educadora que esteve no Colégio Fênix explica que o saber ouvir é o melhor caminho da boa leitura e escrita. “A criança ouve histórias e, através delas, constrói imagens mentais, visualiza o espaço e o personagem e consegue perceber o enredo. Com esse conteúdo, ela passa a dominar o código e a desenvolver uma leitura melhor, mais compreensiva.” O mesmo, segundo ela, acontece com as crianças na hora de escrever. “Ela já está desenvolvendo habilidades que normalmente nós não incentivamos nas crianças. O fato de ter alunos no final do ensino médio e até no superior que ainda não têm o domínio desta habilidade pode ser atribuído à performance das escolas e da família.”

Para conquistar as crianças para a leitura, é preciso fasciná-las, na opinião de Assumpção. “Em algumas escolas, a leitura é resumida à avaliação de estudos e não de busca e pesquisa. O mundo é muito interessante e pode ser trazido para dentro da escola, o que o torna mais fascinante.”

O fascínio da criança faz com que realize tal busca. “Quando ela fica fascinada, quer buscar e essa busca incentiva o processo. Lê bem quem fala bem. Para mudar a realidade atual é preciso mudar o método de alfabetização.”

Assumpção ressalta que se há mudança no jeito de alfabetizar, cria-se chances para a criança entender como funciona o código. “O inverso acontece quando ela decora esse código.”

Para ela, são dois os momentos de leitura na vida do indivíduo. O primeiro deles é entender que a chave da leitura está na decodificação. A criança entende como funciona esse código no início de sua vida.

Depois, a criança passa por um processo de leitura. “Ela começa a ler, se ela não for obrigada, por pedacinhos. Temos que mudar esse processo de alfabetização se quisermos ter bons leitores e escritores. No Brasil, os professores não são preparados na faculdade para alfabetizar. Normalmente o educador também não tem o hábito da leitura, falta paixão.”

- - -

Gramática & leitura

A educadora Célia Assumpção acha que a língua portuguesa nas escolas é resumida à gramática. “Nas séries iniciais, eu não preciso da gramática para saber falar e escrever bem, se eu tiver bons modelos. A língua é reduzida a exercícios. Se eu fizer exercícios de ortografia, eu teria o domínio desse idioma. Na realidade, eu só tenho o domínio desse idioma se eu for um bom orador. Ao final da quarta série, um aluno tem que ter pleno domínio da leitura.” De acordo com a escritora, recentemente foi realizado no país a Prova Brasil, com participação de 41 mil escolas públicas e três milhões de alunos de quarta e oitava séries. “Os resultados foram desastrosos. Temos os analfabetos funcionais. Os alunos de quarta série mal conseguem interpretar um texto e utilizar as quatro operações matemáticas.”

Os alunos de oitava série apresentam uma performance compatível aos mais novos. Ou seja, eles conseguem interpretar alguns textos, fazem algumas relações e na parte de matemática conseguem fazer a leitura de alguns gráficos e utilizam as quatro operações.

Dessas escolas, 10 tiveram destaque e nenhuma delas está na capitais, são todas do Interior. No Estado de São Paulo, uma fica em Matão e outra em Sertãozinho. As demais ficam em outros Estados brasileiros.

O diferencial dessas unidades de ensino é, segundo Assumpção, a formação dos professores. “Todos os professores têm curso superior. As crianças são estimuladas a participar de concursos de redação. As classes de ensino fundamental 2 tem menos de 30 alunos e a de fundamental 1 tem menos de 20. Os pais têm participação ativa e em todas há bibliotecas.”

Comentários

Comentários