Beirute - O governo de Israel suspendeu ontem o bloqueio aéreo imposto ao Líbano durante dois meses, mas decidiu manter o cerco marítimo ao país. “O bloqueio aéreo foi removido, mas o cerco marítimo irá continuar até que uma força naval internacional seja destacada”, afirmou Miri Eisin, porta-voz do premiê israelense Ehud Olmert.
A continuidade do bloqueio marítimo foi uma mudança de última hora, decidida um dia depois de Israel anunciar que iria suspender totalmente o bloqueio - tanto por ar quanto por mar.
Segundo autoridades israelenses, o cerco naval irá prosseguir até que a Unifil (Força Interina das Nações Unidas) possa assumir o controle marítimo e garantir que carregamentos de armas contrabandeadas não cheguem até o Hizbollah por meio dos portos libaneses.
Quatro minutos após o fim do bloqueio aéreo - que ocorreu às 18h (12h de Brasília) -, um vôo comercial da companhia Middle East Airlines sobrevoou o centro de Beirute para sinalizar o fim do cerco. O avião, que vinha de Paris, aterrissou em seguida no aeroporto de Beirute. O fim do bloqueio aéreo foi comemorado. Segundo empresários, a medida custou cerca de US$ 50 milhões por dia para o Líbano, que importa quase todos os artigos.
No entanto, Israel enfrentou críticas de autoridades militares e de familiares dos dois soldados israelenses seqüestrados pelo Hizbollah. Os dois seqüestros desencadearam a crise que resultou em 34 dias de confrontos entre o grupo terrorista libanês e o governo de Israel. Para os familiares, o fim do bloqueio abre caminho para que o Hizbollah volte a se armar e prejudica as negociações pela libertação dos dois reféns.
A rádio pública israelense divulgou ontem declarações de Hussein el Halil, assessor político do líder do braço armado do Hizbollah, Hassan Nasrallah, criticando o governo libanês por aceitar que uma força multinacional controle a costa do país. “A decisão é um atentado injustificado à soberania libanesa, e não era necessária”, disse, em declarações à TV do Hizbollah, segundo a emissora.
O fim do bloqueio abre caminho para a reconstrução do Líbano após mais de um mês de ofensivas israelenses que mataram centenas de libaneses, destruíram milhares de casas e danificaram pontes, estradas e grande parte da infraestrutura do país.
O cerco ao Líbano também causou falta de combustível e energia elétrica, forçando a companhia elétrica nacional a impor um sistema de racionamento. No sul do país, tropas israelenses continuam a ser retirar gradualmente, enquanto forças internacionais de paz da ONU chegam à região. Cerca de 3.250 membros da Unifil já se encontram no Líbano, de um total de 15 mil soldados.
O bloqueio aéreo e marítimo ao Líbano foi imposto em 13 de julho, no dia seguinte ao início da guerra entre Israel e o Hizbollah. A medida foi mantida em vigor apesar do fim das hostilidades, no dia 14 de agosto, nos termos da resolução 1.701 aprovada pelo Conselho de Segurança (CS) da ONU, que previa também o levantamento do bloqueio.