Enquanto o mundo é marcado pelo separatismo, individualismo e competitividade, a sensação de desunião parece prevalecer. Porém, se lembrarmos das palavras do grande mestre: “vinde a mim as criancinhas”, vale a pena buscarmos em nós a liberdade, alegria e espontaneidade desses “seres menores”. Virtudes, que alimentadas continuamente reforçam o grande imã presente em cada um: o coração.
Este centro energético, fonte de atração e irradiação, permite-nos transformar o entorno, elevando o meio que nos rodeia: as ações, sentimentos e pensamentos. A vida pode atingir um novo patamar na qual se dilui a separatividade, e o ego. Ao concentrar nosso foco de atenção no coração e permitir a saída de nobres sentimentos, o outro torna-se eu, o mundo não se apresenta de modo fragmentado e sabemos que só fazendo o bem é que nos faz bem.
Porém, alguém poderia se perguntar: de que vale fazer o bem, se as pessoas não o fazem? Como diz um antigo ensinamento que toda pergunta já contém em si a resposta, esta não foge à regra: é exatamente ao fazermos o bem que os outros também poderão faze-lo. É com o próprio exemplo, antes de mais nada, que as transformações ao redor possam ocorrer.
Não sinta vergonha de exprimir seus sentimentos.Um coração desbloqueado torna-se a morada do espírito, do deus que existe dentro de cada um de nós e esta casa, por ser ampla e ter nobres convidados, permite que a Vida se faça presente.
A qualidade de vida pode ser atingida se não nos esquecermos de limpar a nossa casa, retirando os entulhos e impurezas acumuladas. Mas vale também limparmos nossa mente, retirando dela os pensamentos negativos e pessimistas que ora brotam. Do mesmo modo, podemos limpar nosso coração, retirando dele, sentimentos negativos como a insegurança, medo, ira, tristeza.
Com a casa, o pensamento e o sentimento limpos, podemos então oferecer uma festa, em que os convidados ao chegarem, sintam a harmonia e saiam com vida, melhores do que entraram. Mas a festa não precisa ser esporádica, se continuamente estivermos atentos à limpeza interior, cada momento, cada encontro, cada ato, são preenchidos de alegria, paz e união.
Sejamos simples como as crianças. O autor, Fábio A. Somenci, é mestrando e professor de Literatura