Quem paga R$ 2.500,00 para aprender a cortar cabelo certamente planeja desenvolver uma carreira de sucesso na área. Já as pessoas que freqüentam cursos de manicure e cabeleireiro oferecidos pelo Programa de Geração de Renda da Secretaria Municipal de Bem-Estar Social (Sebes) têm ambições menores.
Nada de figurar entre os profissionais de renome da cidade ou de cuidar do cabelo de senhoras de alta sociedade. Os 150 participantes dos cursos oferecidos pelo programa na área de beleza querem apenas uma forma de obter sustento.
Luciana Messias Hipólito de Oliveira é desempregada e freqüenta aulas de manicure no Núcleo de Apoio à Família (NAF) do Parque Ferradura Mirim. Oliveira, o marido e os dois filhos sobrevivem com cerca de R$ 600,00, por isso ela nunca teve oportunidade de pagar por um curso profissionalizante na área.
“Agora que tem esse curso gratuito, quero ver se consigo uma profissão”, diz ela, que devido à falta de dinheiro quase não tem materiais para trabalhar. Oliveira, que é otimista por natureza, já tem clientela própria - quatro moradoras do bairro.
“Fiz oito atendimentos desde que comecei”, orgulha-se ela, que cobra R$ 4,00 por um serviço completo de manicure e pedicure. A própria Oliveira considera o valor baixo, mas reconhece que não tem como cobrar mais pelo serviço. “Estou começando ainda”, diz ela, que pretende montar um pequeno salão num cômodo vazio que tem em casa.
Luzia da Silva, que tem 30 anos e vive no Parque Tangarás, freqüenta o mesmo curso que Oliveira. Ela e a família sobrevivem com cerca de R$ 200,00 ao mês, renda bem inferior à da colega.
O otimismo de Silva também é menor que o de Oliveira, apesar de o preço de seus serviços (R$ 7,00, pelo atendimento completo de manicure e pedicure) ser ligeiramente maior. “Tenho alguns clientes, mas aqui no bairro é difícil, pois o pessoal não tem muito dinheiro para gastar com essas coisas”, diz ela, que participa das aulas há cerca de seis meses.
Além das aulas de manicure, a Sebes mantém um curso de cabeleireiros no Núcleo Amizade, ligado ao Centro Espírita Antônio de Pádua, que tem dez participantes. Os encaminhamentos para os projetos são feitos pelos Centros de Referência da Assistência Social (Cras), mas, no momento, os dois projetos não têm vagas para novos alunos.