Tribuna do Leitor

Descendo a ladeira


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Apesar de estarmos com a inflação sob controle há praticamente doze anos, e de estarmos vivendo um período de quase vinte anos de estabilidade em nossa democracia, assistimos ao declínio de nossos índices de crescimento da economia. A previsão divulgada de um crescimento de apenas 0,5% no 2º Trimestre/06 pelo IBGE demonstra claramente um desempenho pífio de nossa indústria que participou da composição desse índice com a performance negativa de -0,3.

Com isso, a previsão de crescimento para o ano de 2006 passou para algo em torno de 4%, segundo o Banco Central, o que é um número muito pequeno se comparado com o crescimento econômico de países em desenvolvimento como a Rússia (6,5%), a Índia (7,5%) e a China (9,5%).

Nossa agricultura continua endividada, sem investimentos em modernização de seus equipamentos e com linhas compatíveis de crédito facilitadas para os pequenos e médios agricultores principalmente. Aliás, não temos sequer política agrária no Brasil, apesar de sua vasta extensão territorial e de seu imenso potencial agrícola, sendo que no maior Estado da nação o solo está entregue a uma produção de monocultura da cana de açúcar. Haja cana, haja queimadas.

A indústria sofre dos mesmos males que afligem a agricultura, pois muitos setores da indústria de manufaturados estão sem linhas de crédito para investimentos em equipamentos, novas tecnologias e projeto de expansão de suas linhas de produção com a conseqüente geração de mais empregos a curto e médio prazo.

Entre os maiores problemas estão também a questão da pesada e inadmissível carga tributária sobre os salários, o que impede a contratação de mais empregados em praticamente todos os setores da nossa economia. Um empregado custa em média 110%, aos cofres das empresas e isso inviabiliza novas contratações. O governo não abre mão de sua austera política de expansão tributária, penalizando trabalhadores, agricultores, comércio e indústria, enquanto setores especulativos continuam tendo vida mansa em nosso país.

Nesse emaranhado de números que são divulgados quase que diariamente pelo governo e instituições ligadas a nossa economia, fica latente que o governo comemora avanços muito pequenos e aquém da realidade mundial, enquanto nossa sociedade padece de investimentos elementares em saneamento básico, obras de infra-estrutura, habitação, agricultura familiar, pequenas e médias empresas além de segurança e educação. O dinheiro além de escasso se perde nos currais do nosso congresso e muitas vezes são desviados para atividades não compatíveis com os anseios da nossa sociedade.

Além disso, perdemos bilhões de dólares por ano com a maior de todas as doenças, ou melhor, epidemia, que é a corrupção, um mal que nos aflige e assola o erário em todas as esferas do serviço público nacional. Nos últimos anos vieram à tona, centenas de golpes perpetrados contra nossas finanças e que se fossem evitados poderiam ter sido carreados para a construção de um país menos injusto e mais próximo de economias emergentes como dos tigres asiáticos, Índia, Rússia e China.

Rafael Moia Filho

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