Cultura

Orquestras da USC podem parar

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 4 min

“Os músicos de Bauru estão de luto”. Esta foi a reação de um docente da Universidade do Sagrado Coração (USC) diante dos rumores sobre o fim das orquestras mantidas pela instituição. A notícia não foi confirmada pela universidade, mas, sob a garantia de sigilo, fontes seguras lamentaram ao Jornal da Cidade se não o fim, pelo menos futuras reformulações nos conjuntos.

De acordo com um entrevistado, os regentes da Orquestra de Câmara da USC e da Orquestra Veritas foram comunicados sobre o encerramento temporário dos conjuntos na última quarta-feira, durante uma reunião com o chanceler-delegado da USC, Rodrigo Rocha. “No encontro, foi dito aos coordenadores que o trabalho com as orquestras seria interrompido por causa de problemas financeiros da universidade”, afirmou.

Essa mesma pessoa citou as despesas gastas com as orquestras como empecilho para a continuidade dos projetos. “A de Câmara, por exemplo, tem um custo aproximado de R$ 9 mil mensal. É uma despesa que não traz retorno financeiro à universidade. A USC deixou bem claro o apoio às orquestras mas, como toda entidade em dificuldade, são necessários alguns cortes no orçamento. Não dá para criticar, porém nós sentimos muito”, lamentou.

Uma fonte ligada à Orquestra Veritas negou o fim das atividades, mas indicou a realização para mudanças no vínculo com a USC. “A situação financeira da universidade não está fácil e, por isso, os músicos terão que se adaptar às novas propostas de trabalho. Uma saída que está sendo estudada é a mudança do vínculo dos músicos com a fundação Veritas”, disse o entrevistado, que não quis explicar quais mudanças seriam essas.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da universidade alegou que todas as informações não passam de boatos. “Oficialmente, a reitoria da USC informou que não haverá fechamento de nenhuma orquestra. Talvez haja algumas reformulações, mas nada foi definido”, disse o assessor de imprensa da instituição, Marcelo Zanluchi.

Na área musical, fora as orquestras, a USC ainda mantém o Conservatório Pio XII, o Coral Veritas e o Madrigal Anima. Segundo a assessoria de imprensa, essas atividades também serão mantidas.

Continuidade

Se depender dos profissionais envolvidos nas duas orquestras mantidas atualmente pela Universidade do Sagrado Coração (USC), Bauru ainda poderá prestigiar o trabalho dos instrumentistas, mesmo sem o vínculo direto com a instituição.

Com esse objetivo, músicos da Orquestra de Câmara da universidade marcaram uma reunião para quinta-feira com empresários e produtores culturais da cidade. “Estamos esperançosos em reorganizar a orquestra, afinal ela sobreviveu por oito anos em Bauru e o público que nos prestigia vem aumentando a cada apresentação”, disse um músico.

Ainda de acordo com ele, a idéia é transformar a Orquestra de Câmara na Orquestra Filarmônica de Bauru. “Durante o tempo em que a universidade não puder arcar com as despesas, o conjunto seria mantido por pessoas da comunidade. Passada a crise, o vínculo com a USC poderia ser retomado”, afirmou.

Enquanto a Orquestra de Câmara dá sinais de falência, um músico da Orquestra Veritas reafirmou a permanência do corpo de instrumentistas e a agenda de apresentações. “Ainda não posso adiantar as mudanças, mas elas serão poucas. São 14 anos de orquestra e, ao contrário do que ocorre com a de Câmara, é um conjunto mais popular, com uma aceitação maior no Interior”, disse.

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Orquestra Veritas

Criada em 1992 e inspirada pelas “big bands” norte americanas, a Orquestra Veritas se apresentou pela primeira vez em outubro do mesmo ano. Na sua formação, professores, alunos, músicos da comunidade bauruense e da região, além de músicos da Polícia Militar de Bauru.

Coordenada pelo instrumentista Fernando Cezar Napoleone Paschoal, a orquestra tem dois CDs gravados, o primeiro em 1995 e o último em 1997, e 25 integrantes, como as big bands norte-americanas. No repertório, os instrumentistas resgatam célebres clássicos da música mundial, imortalizando um estilo musical próprio das grandes orquestras de baile e do swing.

Além de músicas norte-americanas que consagraram as big bands, o repertório conta ainda com composições brasileiras e latinas que se adaptaram a este tipo de organização instrumental e não deixam de evidenciar as tendências contemporâneas que revolucionam o conceito das big bands na atualidade.

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Orquestra de Câmara da USC

A Orquestra de Câmara foi criada em 1998 por meio da iniciativa da reitoria da Universidade do Sagrado Coração (USC) e da Fundação Veritas. De acordo com informações do site oficial da instituição, o objetivo do conjunto é difundir a cultura por meio da música erudita em Bauru e região.

A Orquestra de Câmara é regida pelo professor e maestro Marcos Virmond, sob a coordenação da irmã Geni da Silva, responsável pela organização dos concursos de ingresso, da agenda de concertos e de suas relações internas e externas. Mantida pela USC e Fundação Veritas, a orquestra também conta com o apoio de pessoas físicas da comunidade e da iniciativa privada, como é o caso da Empresa Mult Service de Bauru.

Composta por 37 instrumentistas, distribuídos entre as cordas, madeiras, metais e percussão, a Orquestra mantém um repertório que inclui desde obras do período barroco até os grandes compositores do romantismo. E, além de levar cultura, o conjunto funciona como uma escola de música para o aperfeiçoamento técnico e estilístico dos músicos.

Da Redação

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