Internacional

EUA lembram 5 anos do 11 de Setembro

Por Da Redação | Com Reuters e Folhapress
| Tempo de leitura: 5 min

Nova York - Orações, cerimônias e sustos marcaram ontem o quinto aniversário dos traumáticos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA. Um vôo da United Airlines que ia de Atlanta para San Francisco foi desviado para Dallas porque um computador de mão “sem dono” escorregou da primeira classe para a econômica. Ninguém reivindicou o aparelho.

Antes da decolagem, uma mochila, também sem identificação do proprietário, foi retirada do avião, segundo a Administração de Segurança dos Transportes. “Depois que o vôo estava no ar, um Blackberry sem dono identificado foi achado no avião. O avião está seguro, mas o vôo foi desviado por excesso de precaução”, disse Yolanda Clark, porta-voz do órgão. Esse tipo de susto se tornou comum desde o 11 de Setembro, e o aniversário dos ataques criou uma tensão a mais.

A rodoviária Penn, em Nova York, chegou a ser brevemente esvaziada por causa de um pacote suspeito. A imprensa disse que se tratava apenas de um saco com lixo.

Também ontem, a estação de trens da Pensilvânia foi esvaziada e todos os serviços foram suspensos depois que uma sacola foi encontrada abandonada no local. Segundo o porta-voz da estação, Cliff Black, posteriormente constatou-se que a sacola continha lixo. Todas as companhias de trem - Amtrak, Long Island Rail Road e New Jersey Transit - foram afetadas, segundo Black.

Em Los Angeles, um prédio da empresa AT&T foi esvaziado e uma pessoa foi hospitalizada ao ser intoxicada por fumaça, supostamente advinda de um problema elétrico.

Outro pacote suspeito, numa locadora de automóveis em Long Beach, Califórnia, perto de Los Angeles, fez com que o aeroporto da cidade fosse fechado aos carros, segundo a CNN.

Segundo pesquisa USA Today/Gallup divulgada ontem, 30% dos norte-americanos estão menos propensos a voarem de avião atualmente do que antes de 11 de setembro de 2001, e 22% estão menos propensos a entrarem em arranha-céus.

Muita gente se disse incomodada com a idéia de voar nesta data. No Havaí, havia passageiros nervosos com as cinco horas de vôo até o território continental dos EUA.

Desvios de aviões, esvaziamento de prédios e alertas nos metrôs se tornaram mais comuns desde o 11 de setembro de 2001. Em Washington, o Congresso e gabinetes parlamentares foram esvaziados várias vezes, inclusive depois de relatos de um tiroteio - na verdade, o barulho provocado por um funcionário de manutenção.

A data foi lembrada ontem com momentos de silêncio para homenagear os quase 3 mil mortos nos atentados. Um minuto de silêncio foi feito às 8h46 (9h46 de Brasília) por milhares de americanos para lembrar o momento em que um avião da American Airlines atingiu a torre norte das Torres Gêmeas. Às 9h03 (10h03 de Brasília), outro minuto de silêncio lembrou o instante em que um segundo avião, da United Airlines, atingiu a torre sul do edifício.

“Nós viemos para lembrar o valor daqueles que perdemos, aqueles que inocentemente foram trabalhar naquele dia e morreram”, afirmou ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, no marco zero, local onde ficava o World Trade Center.

Parentes das vítimas seguravam cartazes com mensagens como “Vocês sempre estarão conosco” e “Nunca os esqueceremos”. Na cerimônia, familiares leram os nomes das 2.749 vítimas dos ataques. Entre os mortos, estão 60 policiais e 343 bombeiros que tentavam salvar pessoas presas nos prédios.

Parentes reuniram-se no marco zero levando buquês de flores e retratos dos mortos. “É importante lembrar estas pessoas à medida em que os anos passam”, afirmou Diana Kellie, de Acaconda, Montana, cujos sobrinhos morreram em um dos aviões. “Os mortos não estão realmente mortos se forem lembrados.”

No aeroporto Internacional de Logan, em Boston - de onde os dois aviões que atingiram as torres decolaram - passageiros em fila se uniram ao tributo de um minuto de silêncio. “É um momento difícil para todos”, afirmou o guarda nacional Christopher Jessop.

No Estado do Ohio, voluntários planejavam hastear 3 mil bandeiras sobre os quatro hectares de um centro espiritual 100 quilômetros ao norte de Dayton. Na Virgínia, bombeiros e moradores planejavam formar uma bandeira humana em Virginia Beach.

O presidente americano, George W. Bush, deu início às homenagens em uma das sedes do Corpo de Bombeiros de Nova York. Em seguida, Bush deveria cumprir visitas a Shanksville, na Pensilvânia, e ao Pentágono, onde 184 morreram após a queda de um avião da American Airlines, derrubado para impedir que terroristas o atirassem contra o prédio do Pentágono.

Em Shanksville - onde a queda de um avião da United Airlines matou 40 pessoas - uma bandeira americana foi colocada sobre capacetes de bombeiros e desenhos de crianças. A cerimônia teve início com uma oração pelas vítimas.

À noite, depois de passar grande parte das cerimônias do aniversário de cinco anos do 11 de Setembro calado, George W. Bush decidiu partir para o confronto verbal. Para o presidente norte-americano, a chamada “guerra ao terror” é uma “luta por civilização”, segundo diria em discurso em rede nacional às 21h locais (22h de Brasília) ontem, do qual a Casa Branca distribuiu trechos aos jornalistas em Washington no final da tarde.

Politizando a data do ataque terrorista, Bush manda recados tanto a inimigos externos - o Irã - quanto internos - a oposição democrata, que defende a retirada gradual do Iraque. “Se não derrotarmos esses inimigos agora, nós deixaremos para nossos filhos um Oriente Médio dominado por Estados terroristas e ditadores radicais com armas nucleares”, diria, sobre o primeiro. “Ganhar essa guerra exigirá o esforço e a determinação de um país unido. Devemos por de lado nossas diferenças e trabalhar juntos para esse teste que a História nos deu”, falaria, aos segundos.

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