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Simplicidade guia melhor terror do ano

Por Cássio Starling Carlos | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

O medo é uma emoção humana que emerge em dois tipos de situações: frente ao mal e frente ao desconhecido. Explorar nossas reações a esses dois universos é um exercício por meio do qual escritores e cineastas produziram visões fantásticas e carregadas de invenção, desde o triunfo irracional das criaturas românticas à Frankenstein até os pesadelos extraterrestres de “Alien”, passando pelos relatos quase abstratos de H.P. Lovecraft e pela fabulação infinita dos filmes de Shyamalan.

Perfeitamente encaixado nessa tradição, “Abismo do Medo”, que estréia hoje nos cinemas, chega como o melhor thriller de terror do ano. A eficácia diabólica dessa história de seis amigas que partem para uma expedição numa caverna nos Montes Apalaches, onde se defrontarão com seres monstruosos, concentra-se no princípio da simplicidade.

A estrutura do relato é quase minimalista, e o que eleva o medo a níveis absurdos para o espectador está na exploração, pelo diretor, do espaço claustrofóbico e dos jogos de luz e sombra no interior da caverna. Essa simplicidade também lhe permite concentrar a ação naquilo que interessa, com a elevação gradual da angústia, sem deixar de tentar um salto para significados mais elaborados, como a disputa de forças que reduz o “civilizado” aos níveis mais elementares do “primitivo”.

Para isso, o filme avança em blocos progressivos de selvageria, contando como fio condutor uma história de amizade que se degrada em traição, pânico e destruição. Não se trata aqui, como nos filmes da linhagem de “Sexta-Feira 13”, de um medo físico, que se resolveria na explosão de violência. O diretor Neil Marshall conduz com firmeza seu relato até obter um medo metafísico, baseado em temores primários que todos temos do arcaico e da natureza como força que não se controla inteiramente.

Há também, como reforço, toda uma simbologia em torno do feminino, da caverna como espaço uterino e, ao mesmo tempo, como lugar do mistério, capaz de oferecer o prazer do desvendamento como também esconder as mais destrutivas monstruosidades.

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