Regional

Desativação de presídio é festejada

Por Cláudio Dias | Tribuna Impressa especial para o JC
| Tempo de leitura: 2 min

Araraquara - A notícia de que a Penitenciária de Araraquara (117 quilômetros de Bauru) deve ser desativada em até dez dias caiu como uma bomba dentro da unidade. Mas, desta vez, o caso teve repercussão positiva. Logo pela manhã, houve uma certa “festa” internamente com muitas risadas e cumprimentos. Os familiares estão sendo avisados que, em alguns dias, toda a rotina do sistema carcerário estará de volta principalmente o retorno das visitas. Boa parte dos presos que permanecem no local estão sendo investigados por participar da última rebelião.

Ciente da notícia através da reportagem publicada pela Tribuna, um preso conta que havia sido comunicado por um colega. “Cara, a satisfação foi enorme. Isso trouxe a maior alegria aqui dentro porque só de sabermos que iremos sair desse inferno trouxe até mais confiança”, diz o detento sem temer ser transferido. “Qualquer lugar é melhor do que isso aqui.” Ainda ontem, o contato com os familiares estava sendo providenciado: “Aos poucos, estamos avisando as mães e esposas”, informou a direção.

Segundo o interno, eles continuam sem colchão, energia e tendo como diversão uma única bola. “Pra quem gosta, isso é legal. Eu odeio. Então, só me atrapalha”, conta o preso, lembrando que até os assuntos conversados entre eles são os mesmos diariamente. Agentes penitenciários aprovaram a idéia de transferir todos os detentos. Nos últimos três meses, houve quase dez tentativas de fuga somente por túneis. Em todos os casos, os funcionários anteciparam a ação.

A desativação temporária do presídio deve continuar pelo menos até meados de fevereiro, quando está prevista a conclusão da reforma e a ocupação das celas.

A previsão inicial de que até 150 detentos ainda sem condenação ficassem no local em razão das audiências, foi alterada e a penitenciária será esvaziada. Alguns fatores levaram à mudança de planos da direção do presídio, entre eles, o desgaste da imagem do Estado.

Ontem, mais 49 presos foram transferidos cumprindo a determinação dada pelo Tribunal de Justiça de retirar da penitenciária 300 homens em uma semana. A obra de reconstrução do presídio custará R$ 16,1 milhões.

Semi-aberto

A direção da Penitenciária mudou novamente de idéia e resolveu também transferir da unidade os quase 40 presos que cumprem pena no regime semi-aberto, na Ala de Progressão Provisória (APP).

O local foi o único ponto que não foi destruído nas rebeliões. Além disso, esses detentos são beneficiados pela Justiça a passar o chamado indulto com os familiares em datas comemorativas.

Na última saída, no Dia dos Pais, muitos disseram que torciam para ser mandados para outro presídio do Estado. Ontem, quatro foram remanejados. O destino não foi revelado.

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