Tribuna do Leitor

Sem papas, na língua


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Vimos o “imbróglio” que se meteu o papa Bento XVI ao citar em seu pronunciamento na Alemanha, palavras proferidas no século 14 pelo imperador bizantino Manuel II, paleólogo, quando o mesmo disse que Maomé usava a violência (espada) na pregação de sua doutrina, o Islamismo. Foi o suficiente para grande parte da população islâmica em muitos países realizar manifestação pública de repúdio à alegação de Bento XVI. Grupos radicais atacaram igrejas católicas, queimaram bonecos representativos do ex-cardeal Ratzinger, mataram uma freira na Somália. Não bastou o papa lamentar o ocorrido, dizendo que não pretendera ofender o Islã nem seu profeta. Os radicais seguidores de Maomé exigem um formal pedido de desculpa.

É evidente que toda ira e violência feita pelos radicais não se justifica. Mas seu justo desagrado com o infeliz pronunciamento de Bento XVI é mais que compreensível. Não haveria nenhum demérito, se Sua Santidade, numa demonstração de humildade, formulasse o pedido formal de desculpas. Tudo em nome do respeito recíproco e da convivência respeitosa entre todos os credos religiosos e seus seguidores.

Desculpem-me o trocadilho, mas nosso papa (sou católico) com seu lamentável escorregão verbal, não teve papas na língua, propiciando a triste ocorrência.

Manoel Porfírio Rocha Filho - OAB/SP 12.989

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