É fácil chegar à Ilha de Marajó a partir de Belém: de avião ou barco. Pelo ar a parada é em Soure, pelo rio, em Salvaterra, junto à foz do rio Camará, distante 28 quilômetros do Centro da cidade. As duas principais cidades da ilha são divididas pelo rio Paracauary e ligadas, sem problemas, através de ferry-boat.
Marajó fica no delta do Amazonas, o que por si só já explica tanta beleza. Fica no lugar certo em que o rio empurra o Atlântico. Por isso é banhada por águas doces e salgadas ao mesmo tempo, oferecendo praias de areia fina perfeitas para caminhadas, fauna exuberante, fazendas de criação de búfalos, campos alagados, cultura única e gastronomia com os melhores frutos da terra.
Dizem lá no arquipélago marajoara que o Amazonas é o “culpado” de tanta beleza, pois funciona como um ladrão de terras que devolve “como tributo à liberdade” em sua foz. Por conta do fraco desnível da bacia amazônica, durante metade do ano ela fica cheia de água - doce e barrenta, vinda dos rios; e salgada e verde, vinda do mar -, formando (para deleite dos visitantes) praias lindíssimas e diferentes de quaisquer outras da Costa Atlântica.
Lugares belos, quentes e úmidos - a temperatura média é de 27 ºC –, que fazem com que a vida se multiplique e aflore em nuanças que vão do verde da mata ao vermelho intenso dos guarás vermelhos. Essa ave exótica parece metade flor, metade pássaro e voa em bandos pousando nos lombos de imensos búfalos, os principais símbolos da ilha.
A vida é plena em Marajó, onde o respeito à natureza é levado a sério, traduzindo-se na fartura de peixes, de carne, de frutas, camarões e caranguejos. O lugar também é palco do orgulho pela cultura marajoara e pelos sons característicos da região amazônica saídos de curimbós, troncos escavados em madeira, do lundum e do carimbó.
Pesquisas realizadas nos sítios arqueológicos de Marajó provam que o arquipélago sediou no passado uma sociedade evoluída que se dedicava à agricultura e ao artesanato. Há exemplares datados de 980 A.C. As cerâmicas, bonecas, chocalhos, vasos, urnas e machados também são testemunho de como os índios marajoaras representavam artisticamente sua vida em sociedade.
Vestígios desse povo guerreiro também estão presentes nos traços fortes dos caboclos que habitam essa imensa ilha, de 49.602 quilômetros quadrados e por onde se espalham 13 municípios: Soure, Salvaterra, Cachoeira do Araí, Ponta de Pedras, Santa Cruz do Ararí, Anajás, Breves, São Sebastião da Boa Vista, Muaná, Chaves, Afuá, Curralinho e Portel.
Lá também ocorre um fenômeno da natureza só repetido em outros três lugares do mundo: a pororoca, formada pelo encontro entre as águas do rio Amazonas e as do Oceano Atlântico. A pororoca ocorre sempre na mudança das fases da lua, dois dias antes, no dia e três após, entre janeiro a maio e setembro a dezembro. É mais um espetáculo de Marajó para turista ver, crer e deixar para sempre na memória.