A música está sendo grande aliada no tratamento dos pacientes portadores de câncer do Hospital Manoel de Abreu. Há dois meses, uma dupla de músicos de Bauru está desenvolvendo com os doentes da instituição sessões de musicoterapia.
A atividade ocorre entre grupos de até três enfermos, que podem escolher as músicas que desejam ouvir. Ritmos sertanejos, nordestinos, religiosos e, principalmente, composições do “rei” Roberto Carlos, lideram as preferências. “O repertório é bem eclético. Alguns (pacientes) ficam tão empolgados, que chegam até a dançar”, comenta Luiz Fernando Figueiredo, 27 anos, um dos coordenadores do projeto.
A maioria dos doentes participa de forma ativa da musicoterapia, principalmente cantando. Outros chegam a arriscar um dedilhado no violão ou alguns toques no teclado.
Segundo a assistente social do hospital Eliana do Amaral Fermino, a terapia está sendo fundamental para a recuperação de muitos pacientes. “Grande parte das pessoas que estão internadas em razão do câncer apresentaram uma significativa melhora depois que começaram a participar dessas sessões de música. Essa atividade eleva a auto-estima e, em muitos casos, ajuda a amenizar a dor”, ressalta.
Atualmente, o Hospital Manoel de Abreu possui 35 pacientes portadores de câncer, a maioria com mais de 60 anos. Fermino lembra que mais da metade dos pacientes vem de outras regiões do Estado, o que favorece a internação. “Em média, esses doentes ficam no hospital por cerca de um mês. Como o tratamento de quimioterapia é muito desgastante, não é recomendável que eles peguem a estrada com freqüência”, acrescenta a assistente social. Ainda de acordo com ela, o câncer de pulmão é o mais comum entre os enfermos.
Fábio Lima, que também desenvolve o projeto, acredita que a terapia tem amenizado o sofrimento de muitos doentes, em especial daqueles que precisam ficar longe da família porque moram fora de Bauru e, muitas vezes, fora do Estado de São Paulo.
“Certa vez, assim que encerramos a sessão, a terapia foi tão proveitosa a uma senhora que ela, de tão satisfeita, chegou a dizer que o hospital não era um lugar tão ruim quanto parecia. Aquela imagem de um ambiente frio, de dor, depressão, tinha sido amenizada. E esse é o nosso objetivo, resgatar a auto-estima desses pacientes, diminuindo, assim, o desgaste da recuperação”, diz o músico.
Os resultados da musicoterapia têm sido tão satisfatórios que os pacientes, segundo Lima, começaram a interagir mais, inclusive com os enfermeiros. “Estamos percebendo uma maior socialização entre todas as pessoas envolvidas com os enfermos” completa.
As sessões de musicoterapia têm 50 minutos de duração e acontecem três vezes por semana. O projeto, denominado “Humanização da saúde através da musicoterapia”, faz parte de um estágio curricular do curso de especialização em música dos dois profissionais. O prazo para a conclusão do trabalho se esgota em novembro, mas a dupla adianta que a intenção é prosseguir com as terapias no hospital. “Queremos expandir a atividade para outros centros de recuperação de câncer da região, como o Hospital Amaral Carvalho, em Jaú.”
No Hospital Manoel de Abreu, segundo os autores do projeto, o índice de pacientes que não querem ou não gostam de participar da musicoterapia é praticamente zero.