Nacional

Lula vê ‘golpismo’ e conta com 2º turno

Por Eduardo Scolese e Pedro Dias Leite | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Em discurso ontem a cerca de 500 prefeitos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva insinuou haver um clima de golpismo na oposição e admitiu a possibilidade de a eleição ser decidida no segundo turno. Segundo ele, seus adversários têm buscado “outros meios” para retirá-lo do Palácio do Planalto.

“Tem gente neste País que falou: ‘Vamos deixar o operário entrar, ele não vai dar certo e depois a gente volta com toda a força’. Só que os números mostram que demos mais certo do que eles, e eles agora estão ansiosos para ver se existem outros meios, que não é da relação democrática da eleição, para evitar que as pessoas dirijam este País”, disse o presidente.

Na mesma linha, também agradeceu o apoio de sindicatos e movimentos sociais. “É preciso ficar de olho, porque tem gente neste País que ainda não aprendeu a viver na democracia”, afirmou, em evento com prefeitos num hotel de Brasília.

Lula falou após ter ouvido discursos de prefeitos, do vice-presidente, José Alencar, e do ministro Tarso Genro (Relações Institucionais). A maioria deles inflamou a platéia ao atacar as “elites” e denunciar o que classificam de uma espécie de complô da imprensa contra a reeleição do presidente. “A veia democrática do povo brasileiro não permitirá que o resultado das urnas seja fraudado pela manipulação da informação, pela informação unilateral, e pela forma absolutamente arbitrária como seu governo está sendo atacado”, disse Tarso, coordenador político do governo e principal responsável por rebater os ataques.

2.º turno

Em fala de improviso, o petista disse ter certeza da vitória, mas incluiu a possibilidade de segundo turno e pediu ânimo se a eleição não for vencida em 1 de outubro. “Se não deu no primeiro turno e tiver segundo turno, não tem nenhum problema, porque o mundo é assim mesmo e é bom que tenha dois turnos. Que nós vamos ganhar, eu tenho certeza.”

No evento, recebeu um manifesto de apoio assinado por 2.135 prefeitos. Lula declarou que a análise do conteúdo do dossiê contra tucanos é mais importante do que as investigações sobre a montagem e a venda do documento. Sobre os envolvidos no caso, muitos próximos do próprio petista, Lula elevou o tom, dizendo que “quem compra vira tão bandido quanto eles”.

“Eu quero saber de onde veio o dinheiro sim, eu quero saber toda a tramóia que houve, mas sobretudo eu quero saber que diabo de conteúdo que há nesse dossiê que pessoas cometeram a enroscada que cometeram”. Lula atacou os petistas envolvidos no escândalo. “Se alguém botou para vender uma informação, é porque é bandido. E quem compra vira tão bandido quanto eles.”

Apesar do discurso raivoso, disse que, a pedido de sua mulher, Marisa Letícia, vai ficar calmo. “Hoje, eu recebi um telefonema da minha esposa que dizia para eu não ficar nervoso e não ofender ninguém. Por isso, nessa próxima semana vocês me verão muito mais tranqüilo. Até porque não tenho razão para ficar nervoso.”

À CBN Lula buscou se distanciar dos envolvidos no escândalo, inclusive de seu amigo Jorge Lorenzetti. “O Jorge Lorenzetti não tinha nenhuma participação no governo.” Ao atacá-los, falou em “prática política condenável”, pessoas “imbuídas de momentos de loucura” e “imbecilidade”

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