Gaza - Milhares de muçulmanos foram às ruas de Jerusalém, da Cisjordânia e de Gaza ontem para protestar contra o papa Bento XVI. O pontífice causou indignação no mundo muçulmano na semana passada, após citar trechos de um texto medieval que critica o profeta Maomé e diz que o islamismo foi disseminado pelo mundo por meio “da violência”.
Posteriormente, o papa disse que não pretendia criticar o islã, mas a comunidade muçulmana em todo o mundo exige um pedido formal de desculpas de Bento XVI.
No início desta semana, extremistas atacaram sete igrejas na Cisjordânia e em Gaza, sem causar danos nem feridos. Ontem, Bento XVI anunciou que receberá na segunda-feira embaixadores dos países muçulmanos reconhecidos na Santa Sé, assim como os líderes da comunidade muçulmana de Roma, anunciou a imprensa italiana.
Na terceira principal mesquita islâmica, a Al Aqsa, em Jerusalém, centenas de muçulmanos balançavam bandeiras pretas e cartazes com frases como: “Conquistar Roma é a solução”. Manifestantes gritavam: “O Exército do islã retornará. O protesto se dispersou pacificamente”.
Na cidade de Nablus, na Cisjordânia, membros do Hamas tomaram as ruas, gritando slogans contra o papa e trazendo bandeiras verdes do Hamas. Levantando as mãos para os céus, mais de 2 mil manifestantes gritavam: “Nós agüentamos a fome, a prisão e a ocupação, mas não toleramos ofensas ao profeta. Nós sacrificaremos nossas vidas pelo profeta”. Marchando pelas ruas de Nablus, alguns chamaram o papa de “covarde” e “agente dos EUA”.
No norte de Gaza, mais de 1.000 membros do grupo extremista Jihad Islâmico gritavam e carregavam bandeiras pretas. Khader Habib, um líder do grupo disse à multidão que os comentários do papa “indicam que ele não compreende o islã nem o profeta”. Em Ramallah, centenas de partidários do Hamas marcharam pelas ruas do centro da cidade.
Reunião
O encontro do papa com líderes muçulmanos acontecerá na residência de verão do papa em Castel Gandolfo, nas proximidades de Roma. A imprensa italiana já havia comentado sobre a possibilidade de uma “cúpula” entre o papa e os embaixadores dos países muçulmanos reconhecidos no Vaticano, em meio à ofensiva diplomática desencadeada pela Santa Sé para explicar as opiniões através dos núncios (embaixadores).
Na quarta-feira, o papa afirmou que nutre um “respeito profundo” pelo islã e que espera que as declarações que deu durante um discurso na Alemanha na semana passada - que causaram indignação entre muçulmanos - possam levar ao diálogo entre as religiões. “Eu espero que, em vários momentos da visita (...) meu respeito profundo pelas religiões, particularmente a muçulmana, que está engajada com a defesa e a promoção da justiça social, dos valores morais, da paz e da liberdade para todos os homens, tenha ficado claro”, disse o papa durante sua audiência semanal no Vaticano.