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Material continha 2 mil páginas e citava PT e outros partidos, diz PF

Folhapress
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São Paulo - O delegado da Polícia Federal (PF) Edmílson Bruno afirmou ontem que o dossiê original que seria comprado por integrantes do PT com supostas denúncias contra adversários era muito maior e abrangia “partidos de A a Z”. Bruno foi o responsável pela prisão de Gedimar Pereira Passos e Valdebran Padilha em um hotel em São Paulo na sexta-feira passada. “O Gedimar disse que o dossiê está envolvendo todos os partidos políticos e o próprio PT. Em nenhum momento o senhor Gedimar disse que era um dossiê contra o PSDB. Se vocês tiverem acesso aos meus autos, no futuro, verão que não ele não fala do PSDB”, disse o delegado.

Na semana passada, a PF apreendeu uma fita de vídeo, um DVD e seis fotos - que formariam um suposto dossiê contra o ex-ministro José Serra. O material, entretanto, mostrava apenas Serra em cerimônias de entrega de ambulâncias. Bruno forneceu mais detalhes sobre a prisão dos dois na Capital paulista.

Primeiramente a PF prendeu Valdebran, que tentou negociar a entrega do restante do dossiê já sob a supervisão da polícia, mas a operação para conseguir o restante dos documentos não deu certo e foi interrompida. Logo depois, Valdebran teria indicado a presença de Gedimar, que foi detido no mesmo hotel.

De acordo com o delegado, os depoimentos indicam que o dossiê original teria cerca de 2 mil páginas e apontaria outras denúncias além do envolvimento com a máfia dos sanguessugas. Ainda de acordo com ele, os documentos teriam sido vistos antes em Cuiabá (MT).

Na reconstituição do delegado, os Vedoin teriam avisado Valdebran que “alguém do PT” iria procurá-lo. Este alguém seria Gedimar, com conhecimento de Jorge Lorenzetti. Bruno afirmou também que o PT iria comprar uma espécie de “pacote de denúncias” que valeria em torno de R$ 2 milhões.

Intervenção branca

O delegado procurou contestar a tese de “intervenção branca” na investigação sobre o dossiê. Segundo Bruno, ele estava fora do caso e foi acionado pela PF de Mato Grosso para deter Valdebran em um hotel em São Paulo. Ele alegou que pela hora avançada em que terminou a prisão de Valdebran e Gedimar, não tomou depoimentos, que ficaram a cargo de uma delegada assistente.

Segundo a reportagem apurou, o delegado Bruno, que estava de plantão na madrugada de anteontem e prendeu Valdebran Padilha, foi afastado do caso e no lugar dele foram acionados policiais ligados ao superintendente em exercício da PF em São Paulo, Severino Alexandre, indicado para a diretoria executiva do órgão pelo diretor-executivo. Por orientação do superintendente em exercício, todos os delegados e agentes foram proibidos de falar sobre o caso.

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