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Que será amanhã?


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Estamos a uma semana da eleição e o seu resultado quanto a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, no primeiro ou no segundo turno, já não é mais importante. Todos aqueles que têm alguma coisa a perder estão preocupados com o que pode acontecer a partir de 2007. Se o presidente Lula for reeleito, como tudo indica, já que o tempo é curto para mudar a intenção do eleitorado, inquieta-nos como conseguirá governar após o “maior escândalo da história deste país”.

Os mais importantes colaboradores de Lula já tombaram no campo da luta desde o pioneiro Waldomiro Diniz, o já esquecido bauruense. Depois dele caíram em desgraça o comissário todo-poderoso José Dirceu, ministro da Casa Civil; Antonio Palocci, o “maior ministro de todos os tempos”; Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT e o Silvinho Land-Rover, sem falar na cabeça pensante do esquema financeiro, o Marcos Valério.

Agora, de uma só vez, foram tragados pelo buraco negro Ricardo Berzoini, presidente do PT; Freud Godoy, guarda-costas do presidente; professor Jorge Lorenzetti, churrasqueiro-mor da Granja do Torto, fundador da CUT e do PT, “analista de risco” da campanha, função até então desconhecida; Osvaldo Bargas, marido da secretária particular de Lula, Mônica Zerbinato; Gedimar Passos, subordinado de Lorenzetti, preso e solto pela Polícia Federal na Operação Tabajara (mera coincidência com a razão social da turma do Casseta&Planeta); Valdebran Carlos Padilha, petista histórico, preso com Gilmar em São Paulo com 1,7 milhão em reais e dólares entrados ilegalmente no país. Lula, que a tudo ignorava, foi surpreendido pelo escândalo quando, na ONU, ensinava ao mundo como acabar com a fome com o Bolsa-Família. Ainda bem que a base aliada do PMDB está intacta para ajudar Lula no novo governo, com Jader Barbalho, Orestes Quércia e Newton Cardoso. A essa gente fina estará reservada a dura missão de cooptar financeiramente os parlamentares em troca de apoio político que assegure alguma governabilidade. O que lateja nas têmporas é pensar no que estariam aprontando os milhares de petistas encarapitados em todos os ministérios e cargos de confiança.

Mesmo assim, é imprevisível o que o purgatório de cada dia reserva para apoquentar o maior presidente de todos os tempos na continuidade de sua administração. Exemplo do que vem a caminho foi a entrevista do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Marco Aurélio de Mello em seu alerta para a extrema gravidade do escândalo do dia. Não tenho lembrança de nada mais contundente, face ao peso da autoridade do entrevistado, como na comparação com o caso Watergate, que derrubou o presidente dos Estados Unidos Richard Nixon: “É algo muito pior!” Completa: “Agora, o que temos aqui é somatório de desvios de poder”. No repique: “Como toda a baixaria, tem que ser excomungada, tem que ser afastada do cenário nacional”.

Atribui-se a Freud (Sigmund) o dom de explicar tudo. O Freud particular de Lula e do PT, ao contrário, tem a função de nunca explicar nada. Sequer se sente culpado porque, para ele, “não existiu crime algum”. Freud original ganhou fama porque atribui o sentimento de culpa ao desejo libidinoso do filho pela mãe. O Freud do Lula é um incestuoso sem remorsos. Chegaram a compará-lo com Gregório Fortunato, guarda-costa de Getúlio Vargas. O “anjo negro” contratou pistoleiros para matar Carlos Lacerda e eles mataram o major Rubens Vaz, que cuidava da segurança do jornalista. Mas, no caso de agora, dificilmente a tragédia de agosto de 1954 se repetirá na condição de farsa neste setembro de 2006. Freud não é Gregório e nem Lula é Getúlio. O Freud da Granja do Torto está mais para Lombroso, sobrenome do psicopatologista italiano famoso pela autoria da tese de que os instintos criminais de uma pessoa se expõem na configuração física. Freud é alto, espadaúdo e mal encarado. Um perfeito lombrosiano.

O autor, Zarcillo Barbosa, é jornalista e colaborador do JC

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