Regional

Complexo funerário tem serviço de hotelaria

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu - Cultuar a vida num complexo funerário pode parecer contraditório, mas esta foi a filosofia adotada por uma grupo de empresários da cidade de Botucatu (a 100 quilômetros de Bauru) e que pretende mudar a concepção de velório e, ao mesmo tempo, minimizar a dor dos familiares e amigos dos mortos. O empreendimento inaugurado em junho passado agrega salas de velório, serviço de hotelaria, floricultura, café, serviço de tanatopraxia e até um cerimonial fúnebre.

Inovações não faltam. Desde a estrutura física, toda em blindex com vista panorâmica da cidade, até o atendimento, feito por um profissional bilíngüe. São itens que chamam a atenção e diferem o empreendimento botucatuense dos demais.

São oito salas de vigília com suítes para a família. A área restrita aos parentes foi estruturada para atender as mais diversas necessidades. É composta de um banheiro com chuveiro e um quarto com duas camas de solteiro, um frigobar e instalações apropriadas para instalação de computador, fax e telefone.

Decorada com extremo bom gosto, a área restrita lembra um hotel de luxo. A floricultura e a cafeteria completam o atendimento imediato dos familiares que chegam de outras localidades.

As poltronas de cada sala de vigília são coloridas, sendo que cada uma delas tem uma cor vibrante, nada que lembre a morte e, sim, a vida. O piso, de granito, tem cor diferenciada, ficando a parte mais clara reservada para o caixão. A idéia é indicar que a pessoa falecida já “encontrou a luz”. Como oposição, os ‘vivos’ são acolhidos em poltronas instaladas em piso de granito mais escuro.

O verde dos jardins das áreas de circulação contrastam com os móveis e a cor dos assentos. A vista panorâmica remete à reflexão, que pode ser completada com frases gravadas no vidro blindex das paredes das salas, propositalmente colocadas para meditar, explica o gerente Vital Walter de Oliveira Filho. “Para quem está velando o corpo, as palavras em ordem alfabéticas ficam na altura daqueles que estão sentados. São palavras que significam sentimentos como carinho, cautela, confiança...”, aponta.

Para que os parentes e amigos relembrem do morto ainda em vida, é colocada uma bancada em frente do caixão com um ou mais pertences do falecido. “Se ele era um músico, eu coloco o instrumento musical que era usado por ele”, indica Oliveira Filho.

Tanatopraxia

Morto com aparência mórbida é coisa do passado para os empreendedores do complexo funerário.Pioneiros no uso da técnica de tanatopraxia em Botucatu, eles instalaram uma sala própria para a prática, que deixa o falecido com a fisionomia de quem está dormindo, amenizando o impacto da morte. O uso da técnica permite parar o processo de decomposição, evitando odor e vazamentos.

Uma outra sala ao lado é equipada para a necrópsia e para vestir o morto. Dali, o corpo segue para a sala de vigília, no andar superior, por um elevador. Na mesma ala há um show-room de caixões e é possível encontrar o traje masculino e feminino adequado.

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