Bairros

Trabalho foi parte que mais sofreu transformações

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Quatro décadas depois de inaugurado, o Distrito Industrial 1 passou por poucas mudanças físicas, as quais se resumiram quase que exclusivamente ao fechamento de uma parcela das fábricas ali presentes.

Apesar de invisíveis a olho nu, transformações ocorreram. As principais foram nas relações de trabalho vigentes nas empresas que lá funcionam. A forma de contratação de funcionários ajuda a dar idéia da profundidade das mudanças.

Hoje os processos são rigorosos e incluem seleção de currículo, testes físicos e psicológicos. No passado, conseguir emprego era tarefa de longe mais simples. Wagner Nizi, de 44 anos, trabalha no distrito há 25 anos, e arrumou serviço com ajuda de familiares.

“Mudei-me de São Paulo para Bauru, quando tinha 19 anos, e precisava de trabalho, por isso uns parentes resolveram pedir uma chance para mim na firma”, conta ele, que vive no Jardim Redentor.

Nizi, que trabalha como estrusor (confecciona bobinas de plástico) numa fábrica de embalagens, nunca tinha ouvido falar da profissão antes de vir morar em Bauru. “Aprendi tudo o que sei na raça”, orgulha-se. No passado era comum empresas do distrito contratarem pessoas sem experiência.

A própria esposa de Nizi, Suzely Cristina Cardoso, pode ser tomada como exemplo. “Eu tinha 17 anos e aquele foi meu primeiro emprego. Bastou fazer uma ficha na porta da fábrica e duas semanas depois eu já estava registrada”, lembra Cardoso.

Agora, desempregada há oito anos, ela enxerga com pessimismo a realidade do emprego industrial na cidade e no País. “Vejo o distrito cheio de fábricas, mas trabalho mesmo é difícil achar”, reclama.

Para o sociólogo da Universidade de São Paulo (USP) Uvanderson Vitor Silva, que pesquisa a questão do desemprego, não há contradição no fato de diminuírem as vagas na indústria, a despeito de as empresas apresentarem aumento na lucratividade.

“Para competir no mercado globalizado, as indústrias passam por um processo de reestruturação produtiva, que inclui automação crescente do trabalho. Como conseqüência, as fábricas eliminam empregos”, explica ele, que é pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

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