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Região pode perder 11 espécies de aves

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Pelo menos 11 espécies de aves que vivem na região de Bauru correm sério risco de extinção. A situação mais crítica é do bicudo que, segundo classificação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), é uma espécie quase extinta. Além do bicudo, pelo menos outras dez espécies merecem atenção especial das autoridades ambientais. Entre elas, o jaburu (tuiuiú), o pixoxó, a ema e o urubu-rei

No território nacional, a presença do bicudo também está correndo perigo, segundo estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O canto, semelhante ao som de uma flauta, é o que faz do bicudo um dos pássaros mais famosos do Brasil. Eles só podem ser comercializados por criadores que estejam legalmente registrados no Ibama.

De acordo com Lélia Lourenço Pinto, chefe do escritório regional do Ibama, é difícil encontrar um bicudo livre na natureza; a maioria está nas mãos de criadores. A ema, outra ave que corre risco de extinção, por incrível que pareça ainda pode ser vista em vida livre na região, segundo afirma Lélia.

Criador comercial de bicudos, entre outras aves, Juvêncio Pedro Dias acredita que se não fosse a reprodução em cativeiro, pouca gente teria o prazer de conhecer essa espécie. O canto do bicudo, segundo ele, é uma das coisas mais bonitas de se ouvir.

O interesse por esse pássaro é muito grande e extrapola fronteiras, segundo Juvêncio, que tem autorização do Ibama para criar e comercializar aves silvestres. De acordo com ele, um bicudo chega a viver mais de 30 anos.

Mapa

O estudo divulgado pelo IBGE contém uma lista de 159 espécies nacionais ameaçadas de desaparecer. As informações fazem parte do “Mapa da Fauna Ameaçada de Extinção 2”, que têm como base dados fornecidos pelo Ibama. O objetivo do levantamento é ajudar na recuperação das espécies que correm perigo e alertar para a importância da conservação do meio ambiente.

O desaparecimento dos habitats naturais é apontado pelo IBGE e por organizações não-governamentais (ONGs) como um dos principais fatores que levam ao desaparecimento de um animal silvestre. A destruição do ambiente pode se dar de diversas formas, como desmatamento, alagamento, incêndio, poluição e ocupação humana, entre outras.

A caça predatória e o tráfico de animais também dão valiosas contribuições para acelerar o processo de extinção dos animais. De acordo com a Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), a venda ilegal de animais movimenta algo em torno de R$ 10 bilhões a R$ 20 bilhões por ano no mundo todo. A participação do Brasil nesse tipo de crime chega a 15%. Isso significa que cerca de 38 milhões de animais são retirados das matas todos os anos somente no Brasil.

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Multas

Quem adquire um animal silvestre de forma ilegal corre o risco de ser processado com base no Código Civil e Penal. Além disso, tem de pagar multas pesadas. O valor pode chegar a mais de R$ 5 mil por ave apreendida.

De acordo com o tenente Nilson Fidelis da Silva, comandante do 1.º Pelotão de Polícia Ambiental de Bauru, a multa varia de acordo com o tipo da ave. Se for um pássaro silvestre que faz parte da lista estadual de espécies em extinção, como o canário da terra, a autuação é de R$ 523,76. Se o animal estiver na relação nacional, como o papagaio, a multa sobe para R$ 3.142,19. Mas, se a ave apreendida estiver na lista internacional de espécies em extinção, a multa supera os R$ 5 mil por animal.

Ou seja, a apreensão de duas araras azuis grandes, que tenham sido adquiridas de forma ilegal, significa uma multa de mais de R$ 10 mil ao infrator, além de responder na Justiça pelo crime. Neste caso, a condenação pode variar de seis meses a um ano. A multa e a pena valem para todos os tipos de animais silvestres.

Quem deseja ter um em casa precisa comprá-lo de criadores licenciados pelo Ibama. Em caso de dúvidas, o interessado pode entrar em contato com o órgão pelo telefone (14) 3203-0151.

O tenente da Polícia Ambiental alerta ainda para os maus-tratos aos animais. Segundo ele, adquirir uma espécie com toda a documentação exigida pelo Ibama não dá direito ao comprador de tratar o animal em condições precárias. Caso isso seja comprovado, o infrator pode ser condenado a pena de três meses a um ano, mais multa e o animal é recolhido.

As denúncias de maus-tratos e tráfico de animais silvestres, entre outras, podem ser feitas ao Ibama ou à Polícia Ambiental - (14) 3203-2700. O mapa do IBGE sobre as espécies ameaçadas pode ser encontrado no site www.ibge.gov.br no link “mapas interativos”.

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