Geral

Pacto de internação em 48h fracassa

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Fracassou o acordo celebrado no Ministério Público, no final de julho, que estabelece prazo máximo de 48 horas para a internação de pacientes que chegam nas unidades de urgência e emergência no município. O sucesso da medida durou pouco mais de um mês. Atualmente, os usuários que dependem do acolhimento do Hospital Estadual (HE) voltaram a se aglomerar em macas espalhadas pelo Pronto-Socorro Central (PSC).

Só ontem, mais de 20 deles aguardavam a oportunidade de transferência. Conforme a reportagem apurou, um idoso estaria há cerca de dez dias na fila de espera por uma vaga no HE. A situação foi constatada pela reportagem, que permaneceu no local como parente de um dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). O trabalho contou com o apoio do filho do paciente, cujo nome será preservado a pedido da família.

No vaivém permeado por angústias e reclamações, Denise Baptista Nery não poupava críticas ao HE. “Ele é um cartão postal, uma ilusão de ótica. Não faz o papel que tem de fazer, que é desafogar a saúde e suprir a demanda de Bauru. Todo mundo vai morrer, mas o que a gente exige é respeito e dignidade”, afirma. Com problema hepático, o pai dela não suporta as dores abdominais, mesmo medicado.

“O HE é inacessível. Com aquela infra-estrutura, deve estar acontecendo algo. Estão tirando o pão da boca do filho para dar ao cachorro. Tirando vagas do município para dar à região”, comenta Victor Mariusso, que ontem também permaneceu de plantão ao lado da maca do avô, cuja função renal estava baixa. Os relatos pessoais não são tão chocantes quanto os comentários que circulam pelos corredores.

Relatos

“Me contaram de um paciente que morreu aqui porque não conseguiu atendimento. Tem um senhorzinho que entrou com uma lesão no dedo (pé diabético) e agora terá de amputar o pé. O que o bauruense deseja é respeito. Ninguém está pedindo esmola, mas o que é de nosso direito. O Estadual quer abraçar tudo”, comenta o filho do paciente que cedeu lugar à reportagem.

Assim como ele, outros usuários pouparam o Hospital de Base (HB), mantido pela Associação Hospitalar de Bauru (AHB). Conforme o JC apurou, ele recebe casos de urgência em, no máximo, 48 horas. Normalmente, a transferência para o HB não leva 24h. Quando é caso de emergência (risco de morte), o atendimento é ainda mais rápido. Até ontem à tarde, o HB teria recebido o dobro de pacientes que o HE.

Aflita com a situação, Denise levou o problema à Direção Regional de Saúde-10 (DIR-10). O órgão também foi comunicado pela Secretaria Municipal de Saúde das dificuldades com leitos, informa nota encaminhada pela assessoria de imprensa da prefeitura. No entanto, após reclamação feita pela moça, a reportagem não encontrou na DIR-10 quem pudesse comentar o assunto.

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