A passagem para pedestres na passarela de estrutura metálica instalada no quilômetro 338 da rodovia Marechal Rondon, na altura da Base de Policiamento Rodoviário, foi liberada ontem de manhã, às 7h. Foi uma conquista da população do Jardim Nicéia e bairros adjacentes que viram, há seis meses, a morte do menino Lucas da Silva, 6 anos, atropelado ao tentar atravessar a rodovia junto com sua mãe. Mas apesar da passarela, a imprudência de pedestres que atravessam a rodovia de maneira irregular continua. A reportagem flagrou um pedestre, por volta das 9h, que preferiu atravessar a rodovia pela pista aproximadamente 150 metros após a passarela.
O descaso não pára por aí. Antes mesmo da passarela ser inaugurada, foi pichada com giz branco em toda sua extensão - cerca de 31 metros de comprimento e 2,4 metros de largura. “Certamente eles fizeram isso de madrugada. Quando chegamos para trabalhar, já estava assim. Agora, vamos ter que limpar”, conta o funcionário encarregado da obra, Armando Borin.
Além da limpeza, os funcionários terminaram ontem de manhã a pintura do corrimão da passarela, de cor amarela. A estrutura de ferro foi pintada de verde. Uma espécie de malha de ferro cobre e circunda toda a passarela, impedindo, por exemplo, que alguém possa cair ou se jogar.
A doméstica Marta do Prado Gomes, moradora do Jardim Nicéia, achou a passarela bastante segura, mas teve um pouco de medo ao passar “por cima dos automóveis”. “Vou me acostumar com o tempo. A passarela é boa para todos, principalmente para quem tem criança, como eu”, diz.
Más lembranças
Ela não tem lembranças boas lembranças do local. “Há seis anos, meu irmão estava indo para a minha casa fazer uma visita e acabou atropelado e morto na rodovia”, conta. Apesar da segurança, ela acredita que alguns pedestres continuarão usando a rodovia. “Infelizmente isso vai acontecer, mas esperamos que aos poucos as pessoas tomem consciência”, afirma.
O funcionário de uma empresa localizada nas imediações da passarela, Maurílio Fernando Broskoc também ficou satisfeito com a obra. “Muita gente utiliza a passarela para ir ao trabalho ou para casa”, argumenta.
Sobre a imprudência do pedestre que atravessou a rodovia fora da passarela, o 1.º sargento Elias Lourenço Carneiro, comandante da Base Operacional de Policiamento Rodoviário de Bauru, disse que a polícia fará atividades preventivas no local. Nos horários de maior movimento, pela manhã, na hora do almoço e no final do dia, uma viatura policial ficará próxima ao local.
“Ainda não foi regulamentada uma lei que multe o pedestre se ele estiver atravessando fora da passarela, mas vamos conversar e conscientizar as pessoas”, afirma o sargento.
A passarela custou R$ 250 mil, de acordo com o Departamento de Estradas e Rodagem (DER). A estrutura metálica tem 31 metros de comprimento, 26 metros de escada e 2,4 metros de largura, informa a assessoria de imprensa do órgão.
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Exemplo
No início do mês, Botucatu (100 quilômetros de Bauru) deu um bom exemplo de como combater as pichações, conforme divulgado pelo Jornal da Cidade. O delegado Marcos Morés, do 1.º Distrito Policial daquela cidade, cansou de ouvir que era difícil identificar pichadores de rua e foi em busca de uma solução. Após seis meses de trabalho, ele conseguiu um feito inédito: a cidade não tem nenhuma pichação há mais de 30 dias.
Para identificar os autores das pichações, Morés não mediu esforços. Mapeou a cidade, fotografou mais de 1.000 pichações, catalogou todas as siglas, fez busca ativa, escuta telefônica e participou do site de relacionamentos Orkut. Tudo isso resultou na prisão de alguns dos envolvidos, identificação de várias gangues, indiciamento por formação de bando ou quadrilha e, na última etapa, palestras educativas nas escolas.
Anteontem, o delegado esteve em Bauru para ministrar uma palestra a policiais, advogados, representantes de conselhos e vereadores na Câmara Municipal, a convite do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Centro-Sul. Em Bauru, no entanto, a realidade é outra. O município é bem maior e precisaria da contribuição de outros segmentos e autoridades, segundo avaliam os delegados que participaram da palestra.