A importância dos aposentados e pensionistas para a economia de uma cidade é inversamente proporcional ao tamanho da população. Ou seja, quanto menor o município, mais dependente ele fica dos idosos.
Isso ocorre porque nas pequenas cidades, salvo as exceções de sempre, a oferta de emprego é baixa, conseqüentemente, a arrecadação também.
Então, o dinheiro pago pela Previdência Social acaba aquecendo o comércio local e ajuda na geração de novos empregos.
O mesmo é verificado também em municípios de porte médio, como Bauru, por exemplo. Nos grandes centros, o impacto das aposentadorias acaba sendo encoberto pela força da indústria.
Para o economista Carlos Sette, existem vários pontos positivos que devem ser destacados quando o assunto é a importância dos aposentados para a economia de uma cidade. Segundo ele, em primeiro lugar a aposentadoria é um rendimento garantido e com dia certo para ser depositado.
Além disso, normalmente os aposentados são pessoas sérias, idôneas, que controlam o orçamento e não geram inadimplência. “Quando eles atrasam uma conta, entram em desespero”, cita o economista. Essa preocupação se estende também a toda família. “Quando vêem um filho endividado, eles fazem empréstimo para ajudar”, diz.
Por se tratar de um dinheiro certo, praticamente todos os bancos passaram a oferecer empréstimos consignados (cujo desconto é feito na fonte) aos aposentados com juros bem abaixo do mercado.
Sette aponta ainda que cada vez mais os idosos estão buscando mais qualidade de vida e gastando com viagens, academias e cursos de informática, entre outras opções. As empresas perceberam nesse público um filão promissor e passaram a oferecer serviços direcionados.
Por outro lado, o baixo crescimento do País, segundo o economista, tem afetado a tranqüilidade dos aposentados. “Sem geração de empregos, o mercado não tem como absorver cerca de 1,5 milhão de jovens (em condições de trabalho).”
Com isso, o aposentado que pensava que poderia descansar e passear um pouco, tem de voltar ao mercado de trabalho para complementar a renda da família. “São pessoas que deveriam estar vivendo a vida numa boa. Já trabalharam tanto e não é justo eles terem de continuar trabalhando”, comenta Sette.
É o caso de Francisco da Silva, 82 anos, que mesmo aposentado trabalha como contador e corretor de imóveis para ajudar nas despesas da casa. Além dele e da esposa, ambos aposentados, moram debaixo do mesmo teto uma filha e dois netos.
Francisco e esposa ganham um salário mínimo. O dinheiro ajuda, mas não é suficiente, mesmo somando com o salário da filha. “Se eu não trabalhasse, estaria enrolado”, diz ele. “Enquanto eu tiver saúde, vou continuar”, declara.
O maquinista Carlos Silva, 71 anos, se aposentou há 21 anos. Ele não revelou o valor do benefício, mas é o suficiente para poder viver sem ter de trabalhar novamente. Além de pagar suas contas, Carlos ainda ajuda uma filha e o neto que está pensando em casar, mas vive “cheio de dívidas”.
Com o que sobra, o maquinista aposentado aproveita para viajar. Recentemente, esteve na Bahia e já começa a planejar o próximo passeio. Deve ser ainda este ano, mas não sabe ao certo qual será o destino.
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Melhor que os jovens
“Fazendo uma análise do contexto, os aposentados estão numa condição melhor de vida do que a maioria da população, o que inclui os jovens”, constata Fabiana Tonon, idealizadora da pesquisa “A importância do aposentado na renda familiar do município de Bauru“. Segundo ela, desde a época que fazia o curso de economia sempre teve vontade de desenvolver um trabalho voltado para essa área.
“Quando comecei a pós-graduação (curso de Gestão de Pessoas e Sistema de Informação), no primeiro dia já defini que esse seria o tema do trabalho de conclusão de curso, não sabia como daria andamento ao trabalho, mas o nome já estava definido.” A ela juntaram-se Glenda Ximenez e Fabiana Reder.
As três ouviram 109 aposentados no primeiro semestre deste ano. Desse total, 57% eram mulheres. Segundo as pesquisadoras, a predominância feminina na pesquisa confirma a tendência mundial de que, entre os idosos, existem mais mulheres do que homens.
Com base no levantamento, elas concluíram que, atualmente, a maior parte dos aposentados bauruenses tem condições econômicas de se manter sozinha sem depender de outro auxílio. Com a crise econômica e a falta de emprego que afeta o público jovem e adulto, o papel dos idosos dentro de um lar tem sido cada vez mais importante.