São Paulo - Deixando claro que investirá na estratégia de que o adversário é mal acompanhado, o candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, afirmou ontem que (o presidente Luiz Inácio) Lula (da Silva) teve sua chance e deixou passar”. “Sob o ponto de vista ético, Lula poderia ter dado o exemplo e infelizmente não foi o que vimos”, acrescentou Alckmin, após dizer que é óbvia a participação dos tucanos José Serra e Aécio Neves em sua campanha .
Segundo Alckmin, recém-eleitos governadores, Serra e Aécio viajarão pelo país para defender sua candidatura. Alckmin disse que aposta na alta rejeição de Lula para garantir sua vitória no dia 29. “No segundo turno, o que pesa muito é a rejeição e minha rejeição é a menor”, alegou Alckmin. E recorreu espontaneamente ao “diga-me com quem andas que te direi quem és” na primeira entrevista coletiva após a eleição. “Temos que ver o time, ninguém governa sozinho”.
Embora afirme que fará uma campanha para confrontação de propostas, Alckmin deixa evidente que a ética estará na pauta do embate. “A sociedade brasileira está esperando as respostas. De quem é o dinheiro, de quem é dólar, quem é dono das contas e como entrou no País.
O povo brasileiro quer as respostas que ainda não foram dadas”, insistiu, atribuindo como fator determinante para sua chegada ao segundo turno não apenas a descoberta de envolvimento de petistas para a compra de munição contra tucanos, mas a “uma seqüência de escândalos”. “Não foram pessoas distantes. Foram da cúpula do partido, ministro do Lula, do Palácio do Planalto”, afirmou. Ontem, Alckmin se dedicou à análise do mapa eleitoral do país para traçar sua agenda para o segundo turno, que deverá se concentrar em Minas e no Rio de Janeiro, onde haveria potencial de crescimento. Uma das preocupações é garantir capilaridade à campanha, já que não contará com a mesma estrutura oferecida pelos candidatos no primeiro turno.
Ontem, Alckmin informou ao comando da campanha que não pretende gastar mais de R$ 20 milhões no segundo turno, decepcionando os tucanos que defendiam a contratação de um exército pelo país. Ontem, ele telefonou para quem pretende contar como cabo eleitoral pelo país. Ele telefonou para o candidato do PDT derrotado para a Presidência, Cristovam Buarque.
“Vou trabalhar com grande entusiasmo, multiplicar, somar as lideranças responsáveis do Brasil” disse, ressaltando. “Conversas têm de ser partidárias. Os presidentes do PSDB, PFL e do PPS já estão conversando com os presidentes dos demais partidos. O Tasso já falou com Michel Temer, do PMDB”, disse. Alckmin também conversou com Aécio. Minas, disse, será uma das apostas da campanha.