Dos 411 pacientes que deram entrada no Pronto-Socorro Central (PSC) em setembro, 21 permaneceram no local por mais de cinco dias antes de conseguir vaga para internação nos hospitais de Bauru. Outros 15 levaram 72 horas e sete foram transferidos em quatro dias.
Somados, os números apresentados pela administração municipal mostram que 10% dos casos extrapolaram o acordo celebrado no Ministério Público (MP). Ele estabelece prazo máximo de 48 horas para a internação de pacientes que chegam nas unidades de urgência e emergência no Município.
Os dados foram apresentados ontem, em mais uma reunião convocada pelo promotor Fernando Masseli Helene para discutir a crise entorno da saúde pública municipal. Há cinco dias, a reportagem esteve no PSC e contabilizou pacientes não atendidos nas 48 horas estipuladas. Eles aguardavam vaga no Hospital Estadual (HE).
A eventual dificuldade de transferências tem justificativa, esclarece o diretor executivo do hospital, Emílio Carlos Curcelli. O HE atende casos clínicos, muitas vezes de pacientes com quadro crônico de saúde, que permanecem internados por até 30 dias.
Por conta da situação, a rotatividade de pacientes no HE cai e a oferta de vagas também. “Muitos deles têm alta e voltam dois dias depois”, comenta Curcelli. No entanto, os hospitais de Base e Manuel de Abreu também recebem casos da mesma natureza, pondera Rosemary Lopes de Moura, membro do Conselho Municipal de Saúde.
Gargalo
Vagas para clínica médica e unidade de terapia intensiva (UTI) atualmente são as mais concorridas entre pacientes que dão entrada no Pronto-Socorro Central (PSC) e precisam de internação. Também despontam como “gargalos” as áreas de cirurgia vascular, cardiologia e neurologia, informa a administração municipal.
Todas as especialidades são encaminhadas ao Hospital Estadual (HE). Mas em caso de trauma craniano, os pacientes que dependem de UTI e tratamento neurológico são levados ao Hospital de Base. “80% das nossas internações são de clínica médica”, informa o diretor executivo do HE.
No entanto, também é de responsabilidade do hospital proceder as cirurgias eletivas (agendadas antecipadamente). Atualmente, elas representam 40% dos atendimentos prestados pela instituição, que trabalha com capacidade máxima.
“A missão do HE é atender pacientes de média complexidade e fazer cirurgias eletivas de média complexidade, excursionando em algumas áreas de alta complexidade (como queimados e oncologia)”, conclui Curcelli.
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Home care
A prefeitura entregou ontem ao Ministério Público o Programa de Assistência Domiciliar de Bauru, conhecido como “home care“. Por meio dele, receberão atendimento em casa pacientes como idosos acamados ou com seqüela e portadores de doença pulmonar. A aposta é de que o programa, cuja primeira fase será implementada em janeiro do próximo ano, otimize a utilização de leitos hospitalares.
Como os assistidos com problema crônico serão atendidos na própria residência, além da rotatividade de vagas nos hospitais aumentar, o objetivo é reduzir o volume de reinternação. O Hospital Estadual consta como parceiro. Ele treinará e capacitará equipes e disponibilizará profissionais, segundo proposta encaminhada ao Ministério Público. O promotor Fernando Masseli Helene comemora os avanços obtidos pela saúde pública municipal.
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Comitê
As discussões sobre a lista de espera por atendimento médico, com 19 mil nomes, e as referentes ao pacto de internação (com prazo máximo de 48 horas) serão acompanhados por um comitê, instituído ontem.
Ele contará com representantes da Direção Regional de Saúde (DIR-10), da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) do Legislativo, do Conselho Municipal de Saúde (CMS), do Conselho Regional de Medicina (CRM), do Hospital Estadual (HE) e da Associação Hospitalar de Bauru (AHB) - mantenedora dos hospitais de Base, Manoel de Abreu e Maternidade Santa Isabel.
A criação da entidade foi solicitada pelo CMS. “A única prestação de contas que nós tínhamos eram as reuniões na promotoria”, diz coordenador do CMS, Cláudio da Silva Gomes. O primeiro encontro do novo grupo será dia 16, quando a administração municipal encaminhará à DIR-10 a lista com nomes de 19 mil pacientes aguardando consultas especializadas ou exames. “A DIR-10 avaliará todas as solicitações e fará uma proposta de atendimento adequada à realidade”, diz a diretora técnica da DIR-10, Shirley Alonso Mendes.