“A gente tem que tomar cuidado para não ser usado como massa de manobra para interesses políticos”. A advertência é de Heitor Theodoro, diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência e Educação à Criança, ao Adolescente e à Família do Estado de São Paulo (Sintraemfa).
Ele, que trabalha na unidade local e garante não ter presenciado casos de maus-tratos ou tortura em Bauru, reitera que todos são inocentes até que se prove o contrário. Para investigar as denúncias contra funcionários, a Febem instaurou sindicância.
Anteontem, um dia após receber as denúncias de pais e funcionários por meio da Secretaria do Estado da Justiça, a fundação afastou o diretor da unidade, Antonio Alfredo Costela Parras. Sua substituta, Juliana Rosa, que dirigia uma unidade em Iaras, já assumiu a nova atribuição e recebeu ontem os membros das comissões. Ela também receberá os corregedores da Febem, que devem vir para Bauru na próxima semana. “Os fatos podem ter ocorrido, mas não como o relatado. Pode ter havido algum confronto entre meninos e funcionários e ambos se machucaram. Mas se tiver violência gratuita, (quem fez) tem de ser responsabilizado”, diz o juiz da Vara da Infância e Juventude, Ubirajara Maintinguer.
O magistrado estranha o fato das mães terem procurado a imprensa para fazer a denúncia, sem antes procurar a ele ou ao Ministério Público. “É aqui que vamos resolver”, enfatiza. A reportagem não encontrou o diretor afastado da unidade, Antonio Alfredo Costela Parras.