O sabor das coisas vem de uma outra dimensão. Não é possível que seja uma coisa apenas concreta, material. O sabor é algo divino... com certeza. Abro a geladeira da casa da minha mãe e conduzo minha mão até as prateleiras, sem pegar nada. Muita industrialização para o meu corpo. Não quero mais estar dentro das embalagens de comidas prontas. A sociedade produziu o relógio e a pressa para serem inimigos da perfeição.
Exato. É igual aquela campanha de uma loja multinacional de sanduíches: vende comida cheia de conservantes e depois faz campanha de combate ao câncer. Ironia... pura ironia. Realmente o Homem fez o relógio e a pressa para ajudá-lo a vender mais. Estou com pressa, então faço minha refeição o mais rápido possível... de quebra, assistindo a alguma coisa na televisão. Imperfeição.
Rapidamente encho meu prato, corro para o sofá e devoro com pressa toda a comida. Sem sentir o sabor. Um amigo meu, Pelópidas Cipriano, professor, músico e cineasta, se recusa terminantemente a comer em restaurantes de comida rápida. Diz ele: “não sinto o gosto, nem o sabor. Restaurante para mim é, primeiro, para estar junto das pessoas e, segundo, para comer. Bem pensado! O ritual da hora do almoço e do jantar é mais importante mesmo.
Assim, o sabor da comida vem. E tem outra coisa: comer sem pressa e comer bem... saboreando mesmo. Sorvendo cada pedaço de verduras, legumes, grãos e massas. Isto é o Carpe Diem da comida. Saborear, pois, como já disse: não é possível que o gosto do alimento seja apenas matéria. Abro a geladeira da minha casa, sinto-me feliz: comida de boa procedência, qualidade de vida bem ali ao alcance da minha mão. Sinto-me feliz.
É isso. Não é possível mesmo que a comida não tenha uma energia... boa ou ruim. Se fosse diferente, a gente não se lembraria com carinho e saudade da comida da mãe ou da sopinha que a vovó fazia. Mas comida não é feita para lembrar. Comida é feita para comer. E comer bem.
Restaurantes se espalham pela cidade; frutas, verduras e legumes entram em promoção nos supermercados; os orgânicos estão cada vez mais presentes na vida das pessoas; e a expectativa de vida do brasileiro cresce quando se fala de comer com qualidade. A vida é assim: você é aquilo que você come. Em todas as dimensões. Se você come tristeza ou carne podre, sua existência vai ser assim. Mas se você saboreia felicidade e produtos naturais e fresquinhos, sua vida vai ser uma dádiva. Alguém duvida disso?
O autor, Reginaldo Tech, é professor de redação e literatura e coordenador da Comvida - Qualidade de Vida. Leia mais textos acessando www.blogdotech.zip.net. Acesse também www.comvida.org