Na manhã de ontem, foram registrados em Bauru dois casos de incêndio em menos de seis horas. O primeiro, por volta das 6h, em um apartamento do Residencial Parque Flamboyant, no Jardim Marambá. Por volta das 11h, outro incêndio destruiu uma residência no Parque Jaraguá. Somados aos outros dois casos do final de semana (conforme divulgado ontem pelo JC), foram registrados quatro incêndios em três dias na cidade. Em nenhum deles houve feridos.
A moradora do 3.º andar do bloco 38, no portão 10 do Flamboyant, Vera Lúcia Terraz Nazari, acordou ontem assustada com o cheiro e a fumaça que vinham da cozinha de seu apartamento. Quando levantou, o fogão, exaustor e geladeira estavam em chamas. Enquanto esperava o Corpo de Bombeiros, seu filho Nicola buscou um extintor de incêndio.
“Ele acionou o extintor, mas não funcionou. Tentou usar mais outros três e nenhum deles funcionou também. Os vizinhos chegaram e tentaram apagar o fogo também”, conta Vera Lúcia. O rapaz machucou as mãos e só na quinta tentativa conseguiu usar um dos extintores do andar superior.
A moradora afirma que não deixou o fogão ligado. O outro filho, Rafael, acha que o fogo começou na parte elétrica do apartamento.
O síndico do condomínio, Paulo Roberto do Nascimento, acredita que o rapaz atrapalhou-se ao usar o extintor. “Ele retirou o lacre, mas não o pino que existe no extintor. O lacre impede apenas que crianças brinquem com o extintor. É o pino que protege a saída do conteúdo”, explica.
Nascimento também disse que o condomínio possui vistoria do Corpo de Bombeiros e faz manutenção freqüente nos extintores. “Os extintores foram recarregados e verificados no mês passado. Estavam aptos para ser usados”, garante.
Sobre o início do incêndio, o síndico acredita que não começou na parte elétrica do prédio. “Assim que descobriu o incêndio, o zelador desligou o disjuntor. Quando ele abriu a caixa de luz, percebeu que a chave de proteção que ‘cai’ quando há incêndio, estava intacta”, argumenta.
Para o major José Guerxis de Aguiar, subcomandante do 12.º Grupamento de Bombeiros, “não existem coincidências”, referindo-se ao grande número de incêndios em tão pouco tempo. Segundo ele, os bombeiros fazem ações educativas explicando a necessidade da manutenção nos extintores, mas nem sempre são seguidas.