Brasília - O governador eleito da Bahia, Jaques Wagner (PT), admitiu ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi pego de surpresa com a postura do seu adversário no segundo turno, o tucano Geraldo Alckmin, no debate da TV Bandeirantes, promovido anteontem.
No vôo de volta para Brasília, Lula desabafou: “Já entendi. A única coisa que eles querem é isso (discutir as denúncias envolvendo o PT e o governo). Vou me preparar para isso”, disse o presidente, segundo relato de Jaques Wagner. O presidente esperava um debate de propostas, mas acabou tendo que discutir do primeiro ao último bloco os problemas éticos do seu governo.
Segundo Jaques Wagner, Lula ficou decepcionado com o debate, embora tenha mantido o compromisso de comparecer a todos que já estão agendados. “Mais do que surpreso, o presidente pode ter ficado decepcionado porque, mesmo sendo adversário, a gente tem a expectativa de que vai se debater programas. Nós esperávamos que (Alckmin) pudesse vir com temas mais de políticas administrativas”, disse o governador eleito.
Nervosismo
Jaques Wagner reconheceu que em alguns momentos o presidente Lula ficou nervoso, mas justificou que isso demonstra que Lula não se transformou numa “máquina de fazer política”, o que é uma qualidade. “O presidente não pode parar de se emocionar e fazer política friamente. Ele fica chateado quando companheiros se envolvem em irregularidades, fica indignado com ofensas.
O presidente não pode virar uma pedra de gelo. Está apanhando há um ano e pouco e essa carga de emoção iria aparecer quando as perguntas fossem feitas”, justificou. O petista considerou que Alckmin forçou no debate uma postura que não é a dele. “A agressividade do ex-governador era encomendada e não natural. Ironizo a postura do Alckmin”, disse.
Na avaliação de Jaques Wagner esse novo tom adotado pelo tucano pode fazê-lo perder votos na classe média. “Se escolherem esse caminho (para os próximos debates) considero que teremos uma vantagem maior no segundo turno”, afirmou.
“Pegadinha”
Jaques Wagner acusou Alckmin de tentar levar o presidente a cair em “pegadinhas do Faustão” em vários momentos do debate. Ele considera que um desses momentos foi quando disse que iria vender o AeroLula. “A compra do avião novo não é luxo, faz parte do equipamento da aeronáutica e vamos comprar hoje. Acho difícil alguém achar sério essa coisa do avião e das viagens. É uma pessoa que tem uma visão pequena das questões de Estado. É pegadinha de debate, isso não é sério”, disse.