As lembranças tristes de um acidente no qual foi vítima foram transformadas em bons momentos. Desde que foi atropelada enquanto caminhava com a mãe e o irmão em uma avenida sem acostamento, no bairro em que mora, Quinta da Bela Olinda, Marcella Malagolini Luize, 9 anos, tinha um sonho. No dia do acidente, ela foi socorrida por policiais do Canil. Eles a acalmaram até a chegada da ambulância do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (SAMU). Desde então, ela queria conhecer os cães que estavam na viatura, naquele dia, e reencontrar os policiais que a ajudaram. Ontem, na véspera do Dia das Crianças e quando completou quatro meses de recuperação do acidente, ela teve o sonho realizado.
A mãe da menina, Patrícia Malagolini, procurou a Polícia Militar e contou o desejo da filha. Sensibilizados, eles resolveram atender o pedido da menina, ainda mais por se tratar de uma data tão especial, o Dia das Crianças.
A campainha da casa dela tocou logo cedo. Quando abriu o portão, tímida, estranhou a presença dos policiais. “Viemos trazer o seu presente do Dia das Crianças”, disse o comandante do Pelotão da Força Tática, tenente Renato Ramos.
Mas assim que ficou sabendo do que se tratava, abriu um sorriso. “Gosto muito de cães”, disse. Ela, inclusive, tem uma cadela da raça fox paulistinha.
Marcella, a mãe e o irmão mais novo, Marco Aurélio Malagolini Luize seguiram juntos com os policiais, na viatura. Eles foram levados até o quartel do Comando de Policiamento do Interior-4 (CPI-4). Lá, os cães e os policiais que estiveram no dia do acidente aguardavam ansiosamente a menina.
Quando chegou, ainda tímida, ficou com medo dos cães. Mas aos poucos foi se familiarizando. Passou a mão e até os levou para passear pelo quartel. A mãe, emocionada, lembrou-se do dia do acidente. “Eles (policiais) foram uns anjos que nos ajudaram”, disse.
De fato, os policiais admitem que foi o destino que os ajudou. “Estávamos indo para Macatuba e resolvemos passar pela Quinta da Bela Olinda”, conta o soldado e adestrador do canil, Oseias Silva. Quando viu o ferimento na cabeça da menina, o cabo Luiz Cláudio Munhoz acalmou a família. “Ficamos conversando com eles para que não se impressionassem. Além disso, quando a vítima tem ferimentos na cabeça, o melhor mesmo é manter-se consciente”, explicou.
A menina também levou de presente um pôster dela com os policiais e os cães, como lembrança.
O Canil da Polícia Militar (PM) possui 18 cães e quatro deles são especializados em busca de entorpecente. Eles podem ser dóceis com as crianças e muito competentes no trabalho ao mesmo tempo. Os cães dão apoio ao policiamento da Força Tática de Bauru há quatro anos.