O sr. Pérsio F. Marques em sua manifestação do dia 9 do corrente sobre o problema da ocupação do Jardim Botânico questiona se irá ter alguém ou algum órgão que conseguirá resolver o problema.
Quero recordar que é muito estranho que após a criação do Jardim Botânico, em 1977, na administração de Osvaldo Sbeghen, houve a expulsão de alguns posseiros ali instalados os quais foram processados. Entretanto, outras pessoas foram novamente tomando conta da área, quando a polícia florestal autuou, entre outros, Manoel Evandro da Silva pelo desmatamento e a reportagem do JC ouviu um outro posseiro Moacyr Rocha que havia comprado 50 alqueires de área há mais de seis anos de José Finote, que teria se mudado para o Estado de Minas Gerais e que indagou: “Por que a prefeitura não embargou as obras há seis anos, quando outros posseiros já iniciavam novas ocupações do local?”
No mesmo artigo se denunciou nomes de outras pessoas identificadas e a jornalista termina o artigo dizendo: “A questão da posse de terras deverá ser equacionada pela Justiça, mas a questão ecológica poderá não ter solução, conseqüência da ganância de corretores e omissão dos órgãos públicos” (Tânia Guerra - Corretor vende o Parque Ecológico, 7 de abril de 1989, p.5).
Sr. Pérsio, como pode ver, a questão levantada agora não é recente e tanto o vereador João Parreira como os ambientalistas praticantes de nossa cidade estão tratando de um assunto que foi “deixado de lado” por muitos anos sem solução e verificamos que não se pode querer consertar um desleixo ou omissão proposital de governos anteriores de uma hora para outra. Sem levar em conta que os envolvidos, pela lei, já podem ter direitos que fica difícil numa democracia simplesmente serem ignorados.
O que não pode acontecer é deixar que uma pessoa ocupe uma área qualquer, construa, faça benfeitorias e só tempos depois de instalado seja convidado a sair. Não dá para entender como ninguém viu, nem escutou nada. Quem deveria saber não sabe de nada. Ah! se a moda pega.
Realmente, os mais prejudicados nesta questão, sem dúvida, são os verdadeiros moradores do local, espécimes de fauna e flora, que parecem estar sem opção. Morrer ou morrer.
Entretanto, nem tudo está perdido, pois existe a possibilidade de reflorestamento da mata nativa, inclusive com um viveiro de árvores nativas, perto do Parque Ecológico.
Marcia Regina Nava Sobreira - RG 12.326.094-2