Regional

Falta de chuva reduz peso da cana

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú - Para a Associação dos Plantadores de Cana da Região de Jaú (Associcana) o aumento de cerca de 5% na safra de cana-de-açúcar, neste ano, ocorreu em virtude do crescimento de áreas que passaram a cultivar o produto. A associação não comemora, no entanto, porque houve uma queda da safra no quesito peso do produto, devido à falta de chuva num período de dois a três meses.

Segundo o presidente da Associcana, Francisco Paulo Brandão, o clima, mais propriamente a falta de chuva, fez com que a produção de cana na região de Jaú (47 quilômetros de Bauru) sofresse uma queda em termos de peso do produto. “A safra, devido ao clima, teve queda, mas devido às novas áreas que entraram em produção provocou o aumento de 5% na totalidade da produção da cana”, argumenta.

De acordo com ele, se por um lado houve queda da produção por conta do peso da cana, por outro lado isso acabou compensado a qualidade do produto, que passou a acumular mais sacarose. “Houve uma queda no total da produção em peso, embora foi compensado por açúcar, porque está muito forte a produção do produto por tonelada de cana. Ela (a cana) está mais rica em produção do açúcar do que seria o normal, em virtude da queda do peso. Como secou muito, o produto perdeu em peso mais ganhou em quantidade de sacarose por tonelada”, explica.

A Associcana tem cerca de 970 produtores associados, pertencentes a 13 municípios da região de Jaú. Brandão ressalta que são eles quem decidem sobre a porcentagem da produção de cada produto no mix açúcar-álcool. “O mix de produção é decidido pela unidade industrial. Eles é que trabalham de acordo com o mercado interno e externo, embora o governo exija uma divisão entre produção de açúcar e produção de álcool”, define.

Brandão comenta que depois que o setor sucroalcooleiro passou por um período deficitário de três anos, neste ano os preços estão atraentes. “O setor, nos últimos três anos, esteve meio deficitário. Este ano os preços estão mais compensadores e há um futuro muito grande e bom para o setor, principalmente devido ao uso cada vez maior e procura mundial pelo etanol”, comemora. Ele lembra que, por conta do protocolo de Kioto, as misturas ocorridas na gasolina têm que ser substituídas por produtos menos poluentes. “Pelo protocolo de Kioto não se pode mais adicionar outros derivados à gasolina e eles serão substituídos pelo álcool anidro”, comemora.

Segundo o presidente da Associcana, mesmo que a procura pelo álcool tenha aumentado no mercado externo, as indústrias continuam a dividir a produção em média 50% com açúcar e 50% com álcool. Isso é atribuído, na sua opinião, aos contratos de entrega assinados com o mercado externo e interno. “Embora hoje o mercado é sempre com vendas futuras, os produtores já têm contratos de entrega de açúcar em termos de mercado internacional, ou mesmo interno, e que não podem deixar de ser cumpridos. E tem que cumprir porque senão tem penalidade”, conta.

Mas Brandão reconhece que os preços do açúcar estão caindo no mercado mundial e que a indústria procura alternativas. “Mundialmente os preços de açúcar estão caindo então, logicamente, a indústria procura aferir maiores lucros e neste momento o álcool estaria rendendo mais do que o açúcar”, argumenta.

Questionado sobre a queda nos preços do álcool combustível verificada nos postos, Brandão atribui isso aos estoques do produto no mercado. “Agora nós estamos no pico da safra, então os estoques (de álcool) estão no máximo e, como em qualquer setor, funciona a lei da oferta e da procura. Como tem muito álcool o preço cai um pouco”, sustenta.

O mercado externo do setor da cana-de-açúcar, atualmente, está voltada mais para os Estados Unidos e Europa e, segundo Brandão, alguns países da Ásia, como o Japão. O produto é vendido por tonelada cujo preço, atualmente, pode variar de R$ 48,00 a R$ 50,00, dependendo do ATR (Açúcar Total Recuperável) da cana, que é o teor de açúcar encontrado no produto.

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