De repente, sem razão aparente, a criança reclama de dores nas pernas, semelhantes a cãibras, que, normalmente, passam logo, sem deixar seqüelas. Esse não é um sintoma que deva causar preocupação. Trata-se de um problema popularmente conhecido como dores do crescimento, e afeta aproximadamente 20% dos pequenos em todo o mundo.
Segundo o ortopedista Alexandre Kusawara, do hospital Beneficência Portuguesa de Santo André, as dores têm relação com o crescimento ósseo, não acompanhado pelo alongamento dos músculos e tendões.
De acordo com Kusawara, o problema tem origem mais popular do que patológica. “É comum que se classifiquem dores nos membros inferiores, na infância, a dores do crescimento, mas não é provado. É na segunda década da vida que costuma ser mais comum’’, diz o especialista.
Isso porque o sintoma é mais freqüente nas idades do chamado “estirão’’, que ocorre normalmente na pré-adolescência e no início da puberdade, entre os 10 e os 13 anos. Ambos os sexos são afetados em proporções parecidas.
Na maior parte dos casos, as dores aparecem à noite, e podem chegar até acordar os pequenos. O que as diferencia de problemas mais graves é o fato de passarem logo, com medidas simples. Aquecer o local afetado ou fazer massagens são métodos eficazes para acabar com as dores, mas, se não resolverem, analgésicos são a solução.
De acordo com Kusawara, há casos mais graves que pedem a imobilização da área afetada. “Mas, mesmo assim, os sintomas desaparecem rapidamente. A imobilização é necessária por uma semana ou dez dias apenas’’, explica.
Embora as dores nos membros inferiores dos pimpolhos sejam um problema muito freqüente nos consultórios médicos - cerca de 25% das dores são caracterizadas como do crescimento - as causas ainda não são conhecidas.
O que se sabe é que elas normalmente acometem as crianças após um dia de intensa atividade física e que hereditariedade pode estar relacionada ao problema, além de problemas psicológicos, como crises familiares, aparecerem como possíveis desencadeadores de crises.
Hoje, segundo Kusawara, o transtorno é bem mais recorrente porque os pequenos estão mais sedentários. “Está relacionado ao fato de não fazerem mais tantas atividades físicas, ficarem na frente do computador.’’ Segundo ele, prevenir também é simples: o importante é praticar exercícios, fazer alongamento e controlar o peso.