Estar na moda, exibir um corpo em forma, invejar e imitar modelos macérrimas e aparentemente indefectíveis. Desde a antiguidade, a beleza se coloca como um fator extremamente influente sobre a mente humana, haja vista o tão propalado fato da disputa pela bela e simétrica Helena na Guerra de Tróia.
Diariamente somos assaltados por relatos de pessoas - e principalmente jovens - que arriscam sua saúde e seu equilíbrio físico e psicológico em busca de um corpo apolíneo alheio a elas e que em muitos casos dificilmente será atingido.
Em um mundo no qual o destaque e a fama são associados a organismos esculpidos em proporções áureas, não é de se admirar que seja crescente o número de casos de indivíduos aventurando-se por caminhos privados de retorno, rumo ao ideal do corpo exuberante sem que haja uma maior preocupação com as implicações da incessante procura pelas formas perfeitas. Buscando um corpo quimérico e sabidamente efêmero, abandonam-se valores morais, éticos e a convivência em sociedade, sem que ao menos se conteste qual a real razão para se consumir a tão perigosa droga da obediência ao belo.
Já na segunda metade do século XIX, o cientista Charles Darwin defendia a idéia de que a bela aparência era um fator biológico extremamente necessário à manutenção da espécie humana, sendo destacável a preferência do macho por fêmeas donairosas. Com base em tal noção, não é de se espantar que a mídia e a sociedade tenham promovido a zoomorfização do homem para se embutir na teoria Darwiniana. O império da vaidade mostra-se impositivo, principalmente face às inovações tecnológicas no setor de estética e à crença de que juntamente com as gorduras podem ser aspirados todos os problemas, como se o corpo escultural pudesse trazer uma solução adequada a tudo. Grandíssimo engano! Perante a tantas tentativas de perpetuar os ideais matemáticos das formas primorosas, faz-se necessário que analisemos cuidadosamente o grau de influência que a contemplação estética exerce em nossa vida, visando substituí-la pela busca da saúde, da virtuosidade e do bem-estar individual bem como o social.
Joana Teresa Bisinella de Faria