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Manobra radical lota Sambódromo

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 3 min

Por volta das 19h “participantes” e espectadores começam a chegar ao Sambódromo de Bauru. Com portões abertos e iluminação, primeiro entram as bicicletas, depois as motos e, por último, os carros. Manobras para todos os gostos e idades são executadas com perícia, na pista. Enquanto isso, na arquibancada lotada, olhos nervosos de crianças e adultos acompanham tudo, sem piscar. No entanto, não existe autorização para que o “evento” seja realizado às quintas-feiras e também um responsável pela organização.

Na calçada, comerciantes de rua tentando levantar um dinheiro a mais. Em meio ao som alto, mistura proveniente das cornetas dos carros estacionados na pista e daqueles que provocam congestionamento na rua paralela, um dos comerciantes confessa. “Isso já virou mania, e olha que tem pouca gente hoje.” No entanto, as arquibancadas e alambrados servem de aconchego para, certamente, centenas de pessoas.

Outro comerciante conta que o evento acontece há algum tempo e atrai pessoas de cidades vizinhas. “Quinta-feira passada estive em Jaú. No final da tarde meu carro deu problema e passei num mecânico. Percebi que ele estava com pressa. Depois que perguntei ele explicou que viria para Bauru acompanhar o evento.”

Um pai sentado na arquibancada com o filho de 4 anos diz que, há cinco semanas, se desloca do Jardim Carolina para acompanhar as exibições. “Acho que faltam opções de lazer. Só praça e shopping não dá. Quando muito tem um show, ainda por cima com preços salgados”, afirma o rapaz, que avalia que o evento acontece há cerca de três meses. “Mas só agora pegou”, completa.

Outro espectador trouxe, do Mary Dota, os três filhos, de 6, 8 e 13 anos, para acompanhar as exibições pela primeira vez. “Estou sentindo que teria que ser mais organizado. Tem muita gente dentro da pista. Alguma moto pode sair do controle e atingir alguém”, pondera o homem, que soube do evento através de amigos. “Já que estão fazendo aqui no Sambódromo, acho que a prefeitura poderia fazer alguma coisa para organizar”, completa.

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Sem autorização da Prefeitura

O Sambódromo é um local público, no entanto para ser utilizado para eventos é preciso obter uma autorização com a Secretaria Municipal de Cultura. Segundo o titular da pasta, José Augusto Ribeiro Vinagre, no último dia 31 de agosto expirou a validade de uma autorização para que a área, todas as quintas-feiras, fosse utilizada para uma exposição de carros tunados, com organizadores e segurança.

“Qualquer evento que esteja acontecendo às quintas-feiras no local é de total desconhecimento da gente. Portanto, irregular”, alerta.

Segundo o comandante da Base Sudeste da Polícia Militar (PM), tenente William Carlos Padovini, se for constatado que pessoas esteja utilizando o local em atividades que perturbam a ordem ou colocam em risco a comunidade, os envolvidos, se identificados, podem ser autuados de acordo com a legislação de trânsito, ou até mesmo responder por crime.

De acordo com o tenente, é complicado deslocar uma patrulha para fazer a segurança e fiscalizar o local. “Atendemos mais a solicitações e, há muito tempo, ninguém da vizinhança se sentiu incomodado com o evento e registou uma queixa”, afirma. Ele explica que a Base Sudeste cobre 51 bairros da região, seguindo uma cartilha de prioridade. “Outro agravante é que o Sambódromo é um local muito aberto e não existem muitas barreiras que impedem utilização indevida do espaço”, destaca. “Se realmente for configurado que pessoas estão provocando desordem no local, em conjunto com a prefeitura precisamos tomar as medidas cabíveis”, completa.

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